21 maio 2006

A MÍDIA SOMOS NÓS

por Rodrigo Mesquita

O primeiro site de informação jornalística no Brasil – o da Agência Estado – começou a nascer em 1988. A visão de que o desenvolvimento das tecnologias de informação e comunicação, TICs, iriam determinar o futuro das tradicionais empresas jornalísticas, foi o mote para iniciar a transformação de uma unidade operacional do Grupo Estado numa inovadora empresa virtual de informação.

Estávamos em 1988 e o objetivo explícito era o de criar um serviço de informações econômicas em tempo real, visto que a comunidade financeira era a única, naquela época, em condições de sustentar uma empresa de informação com estas características. O objetivo implícito era iniciar o processo de conquista de conhecimento para, no futuro, contribuir para o processo de migração dos tradicionais negócios de uma empresa jornalística do papel para as redes de comunicação e os diversos displays que elas comportam.

A primeira rede de distribuição de informação da AE era estruturada num sistema que utilizava uma sub-banda do FM. A Embratel era monopólio estatal, e a alternativa para este sistema seriam as linhas privadas que, em função da inexistência de um mercado competitivo, eram caras e de operação duvidosa. Era impossível imaginar que as TICs apresentariam a evolução geométrica que vêm ocorrendo desde aquela época. Muito menos que, no início do século XXI, as tecnologias não proprietárias estariam iniciando o processo de superação dos grandes monopólios que nasceram com o início desta nova aventura da humanidade.

A Agência, neste processo, atingiu um grau de excelência informativa que a levou a uma situação de referência de mercado. Talvez, seja a única empresa de informação brasileira cujos processos de captação, processamento e distribuição de informação tenham sido, sem exceção, estruturados em rede. Isso também foi verdadeiro para seus processos administrativos, comerciais e tecnológicos. Uma empresa organizada em rede – células de profissionais multidisciplinares com liberdade e responsabilidade para criar e preparar o futuro.

A abertura de caminho para conquistar outras formas de relação com o mercado, além do tradicional modelo de negócio sustentado por distribuição de informação, foi possível para a AE por causa desta organização funcional em rede e porque, também em função desta filosofia, a empresa nestes anos todos conquistou um profundo conhecimento das tecnologias de informação e comunicação e suas possibilidades, especialmente as de código aberto.

Por uma questão de custo x benefício, a empresa começou a desenvolver-se em cima do sistema operacional aberto Linux e de softwares livres (o ecossistema Linux), a partir de 1996. A consciência dos profissionais da necessidade que tinham de criar novas plataformas de relacionamento com o público, aliada a uma postura aberta em relação à tecnologia, permitiu um primeiro grande avanço neste novo mundo. E daí começa a se explicar a liderança da Agência.

O porvir das tradicionais empresas de informação, está claro, dependerá da capacidade delas para, paulatinamente, desenvolverem novos modelos de negócios sustentados por operações de network. A internet é muito mais do que um meio adequado para organizar e distribuir informação. É uma nova infra-estrutura que permeia todas as relações e atividades humanas. Como meio de comunicação, é o mais importante desde a prensa de Gutenberg. É um novo ecossistema para a humanidade explorar, abrir novos caminhos e construir novas oportunidades.

Ela contém todos os meios que vieram antes e, por ser rede, enriqueceu este conjunto com a convergência e a interatividade. Este novo ecossistema provoca a mudança, induz a rearticulação dos processos de produção de conteúdo e de riqueza. E com isso abre um novo caminho para o público e, pela primeira vez, com o público. Revirando e contrariando a maioria dos conceitos que assumíamos sobre mídia e sobre modelos de negócio em geral. No mundo da internet, a rede, nós somos definidos pelo que sabemos e pelo que compartilhamos. Sem conhecimento e sem compartilhamento não se vai a parte alguma.

As empresas jornalísticas tradicionais, no entanto, ainda não despertaram plenamente para este fato. Junto com os outros meios de massa broadcast – a TV aberta e o rádio – detinham, até o advento da Web, praticamente o monopólio de distribuição de informação para uma determinada comunidade, num espaço físico específico. Talvez por isso mesmo esta indústria tenha restringido sua atuação, neste primeiro momento do novo ambiente em construção, a procurar emular seu modelo de negócio, que historicamente se sustenta em função da franquia que deteve até recentemente de distribuição de informação editorial e comercial, para o mundo da internet.

Isso contribuiu para que a rede seja entendida pelo público quase que exclusivamente como uma enorme biblioteca digital composta por sites ou portais, com maior ou menor volume de informação, mais ou menos dinâmicos e com ferramentas melhores ou piores, para manusear e usar a informação. Sua enorme capacidade de organização e publicação de qualquer tipo de conteúdo acabou dando o tom, nestes primeiros anos. Talvez não poderia ter sido diferente, mas mesmo assim não foram poucas as mudanças que ela gerou e vem fomentando nas nossas vidas.

Aspas, uma confissão
Não acredito que os blogs ou os wikis (softwares de publicação de facílima utilização que permitem o desenvolvimento de conteúdos individualmente ou coletivamente), como estão conformados hoje, vão substituir o jornalismo tradicional. A única certeza que tenho é que o processo de formação de opinião daqui para a frente será cada vez mais autônomo, difuso, complexo e sofisticado.

Vejo a internet como uma infra-estrutura para articular qualquer tipo de relação humana. Sejam elas de cunho econômico, político ou social. A rede não é só um novo meio de comunicação, apesar de neste primeiro momento ter servido antes de tudo para organizar e distribuir informação. Ela é antes de tudo fator de rearticulação de processos, privilegiando as possibilidades de cooperação, colaboração e compartilhamento.

As tradicionais empresas jornalísticas ignoram estes fatos e, também por isso, vêm perdendo mercado há anos. Suas estratégias são exclusivamente defensivas: jornais populares, jornais gratuitos, tablóides e reformas editoriais clássicas. Nenhum movimento estratégico para procurar explorar as possibilidades de network.

Angra do Heroísmo, de Antônio Dacosta

O mundo mudou. Na Idade Média quem dominava a informação era Igreja e o poder temporal. Com a Renascença e o conjunto de inovações que a impulsionaram, entre elas a criação da prensa por Gutenberg, a Igreja e seus aliados perderam este monopólio. A burguesia ascendente teve acesso ao conhecimento e à possibilidade de publicar e vender suas idéias e valores.

Em meados do século XIX, o jornalismo começou a virar negócio. As publicações deixaram de ser panfletos de vida efêmera para se tornarem perenes e gerarem uma plataforma de negócios. O apogeu disso ocorreu entre as duas grande guerras. Hoje, com a infra-estrutura de redes, o modelo de negócio baseado exclusivamente em distribuição de informação morreu (não é morte súbita, é um definhar lento e dolorido). Sempre será mais fácil entender a crise que o declínio.

Em 1930, São Paulo tinha 800 mil habitantes e o principal jornal da cidade circulava com 100 mil exemplares. Seus classificados eram a principal rede de vendas da cidade. Não existiam cadeias de lojas ou de supermercados. Os jornais aqui e em cidades semelhantes eram os principais canais de vendas de uma enorme gama de produtos e serviços – uma plataforma de relacionamento ajustada e adequada para a época como nenhuma outra em todos os tempos. Isso permitiu que os jornais desenvolvessem em todo mundo um jornalismo caro e sofisticado.

Fecha aspas, o mundo em rede
Este tempo acabou. Vivemos num mundo interconectado em tempo real. A minha geração, que foi surpreendida por este processo no meio do caminho, não terá tempo para reaprender a pensar, num contexto tão profundamente modificado por novas ferramentas e possibilidades. Sua responsabilidade é a de facilitar o caminho para as gerações que se seguirão. Estas viverão num tempo em que a conexão será uma commodity, um direito tão fundamental quanto o de votar. Assim como o equipamento para se conectar.

A segmentação da informação, que é possível hoje graças ao poder de distribuição cada vez mais barata e rápida, leva naturalmente à formação das comunidades, e de comunidades dentro de comunidades, e a atenção compartilhada dá um centro de gravidade a elas. A interatividade que a rede traz leva às tecnologias de colaboração, de compartilhamento e de geração de novos espaços de conexão humanos, e cria todo um novo modelo de produção de conteúdo e de riqueza. É esta a mudança mais profunda e radical e, neste contexto, as empresas de informação deixaram de ser o centro.

O cidadão, o usuário, passa neste novo mundo em construção a ser ativo, respondendo on-line aos estímulos de atenção e recriando-os. Ele é o centro de geração e ampliação da atenção e dos estímulos. Não mais uma antena, mas um roteador. Não mais um elemento em linha, mas um processador em paralelo. O cidadão é único e fundamental, mas varia na intensidade de sua participação e não pode ser discriminado, é um comunitário. Não podemos menosprezar a quantidade de informação (e, eventualmente, qualidade) que blogs, wikis e outras ferramentas de publicação, que serão desenvolvidas, aportam e aportarão cada vez mais ao processo. São milhões de repórteres com celulares e câmaras, num processo em rede que mal se iniciou e que vai amadurecer.

As tradicionais empresas de informação poderiam ocupar espaços importantes neste processo. A conectividade, enquanto pensamos com o modelo velho na cabeça, implica gradação: ilhas (jornais), arquipélagos (meios de maior alcance, rádio, tv), o planeta ligado (conectividade ilimitada, dispersão instantânea da informação, potencialização de nichos e comunidades isoladas). O que gera necessidade de centros referenciais da busca pela informação, que é global e irrestrita. O Google, neste sentido, é um exemplo que poderia ser referência para os jornais.

Ninguém mais pode controlar as possibilidades de criação, de comerciar, de distribuir, de achar e de interagir dos cidadãos. A barreira de entrada para a mídia foi demolida. A transmissão de informação deixou de ser monodirecional para se transformar num pool aberto. Isso muda tudo: as inter-relações, a equação econômica, a estrutura de poder.

Neste mundo novo, o controle está mudando para as mãos do cidadão. O futuro da mídia está nas mãos do público. As tradicionais empresas jornalísticas, os políticos, o governo e o marketing das corporações distanciaram-se da sua dimensão humana ao se colocarem em pedestais frente ao público. Não admitem erro. Por isso resistem em entrar em processos de conversação e têm enorme dificuldade para perceberem que a notícia não acaba quando é impressa e difundida.

Não percebem que o verdadeiro ciclo da história começa aí, quando o público levanta questões, acrescenta fatos e corrige erros, levando a uma nova perspectiva mais próxima da verdade.

O objetivo primordial da mídia talvez seja o seu mais tradicional e valoroso, que vem a ser a defesa da civilização, da democracia e da ética, mas agora na velocidade deste novo tempo. Por isso é primordial que se busque estabilizar este grande e impulsivo criar de comunidades por meio de uma plataforma de valores humanos geradora de confiança entre as pessoas.

É esta a lição que se começou a receber e se poderia aprender, na construção da história da Agência Estado. Os 10 anos de atuação na rede com um portal de informação aceleraram e aprofundaram o processo de aprendizagem. E com certeza ainda há muito mais que aprender do que usufruir.

Nota do Editor
Rodrigo Mesquita, jornalista e empreendedor, autoriza a republicação deste texto. O copyright dele pertence à Radium Systems.

São Paulo, 21/3/2005

6 comentários:

O Negro No Brasil disse...

Este é bom trabalho de gestão competente,vai nesta caminhada.Este é o nosso blog,http://onegronobrasil1980.blogspot.com,acesse.

O Negro No Brasil disse...

A condição de negro

“O fato de eu ser negro e a exclusão correspondente acabam por me conduzir à condição de permanente vigília.” Esse depoimento de Milton Santos evidencia a sua consciência em relação à questão do preconceito e da discriminação que sofreram os negros no Brasil. Não participava de movimentos ligados à sua causa, uma questão de coerência com aquilo que ele dizia ser fundamental para um intelectual: a independência. “Não sou militante de coisa nenhuma. Essa idéia de intelectual, apreendida com Sartre, de uma independência total, distanciou-me de toda forma de militância”, declarou.

Descendente de escravos que foram emancipados antes da abolição da escravatura no país, Milton Santos enfrentou quando jovem diversas manifestações de racismo. Desistiu de cursar Engenharia, entre outros motivos, quando o alertaram que havia resistência aos negros na Escola Politécnica. Em outra ocasião, foi convencido por colegas a não se candidatar ao cargo de presidente da Associação dos Estudantes Secundários da Bahia. O argumento usado por eles foi de que, como negro, ele não teria acesso ao diálogo com as autoridades.

Mesmo assim, continuou sua trajetória no meio acadêmico e hoje, pela sua relevância como intelectual, tornou-se referência para o movimento negro. “Não porque ele militava, ele era um acadêmico, mas pelo debate que fazia sobre inclusão. E também por não esquecer suas origens, apesar de ter se consagrado como um dos mais importantes intelectuais do mundo”, aponta o geógrafo João Raimundo de Souza, a propósito de uma homenagem feita pela Universidade de Campinas (Unicamp) a Milton Santos.

Fonte: Revista Fórum, 56, ano 6, novembro de 2007, páginas 10 e 11, por Glauco Faria.

O Negro No Brasil disse...

BR 020, inicio em 56 com Presidente JK, no total 52 anos dos trechos Riachão das Neves/BA e Pícos/PI não concluídos(obra parada). Encaminhei ao presidente da Republica, Lula, várias correspondências solicitando providencias do seu Governo com relação a esse trecho da BR 020. Em reposta o Ministério dos Transportes na carta Nº 020/GM/MT datada 25 de janeiro de 2008:
“Por incumbência do senhor ministro dos transportes, Alfredo Nascimento, reporto-me a sua correspondência de 16 de julho de 2007, para encaminhar a Vossa Senhoria o Oficio Nº 82/2008/DG, do Departamento de Infra-Estrutura de Transportes – DNIT, de 18 de janeiro de 2008, contendo esclarecimentos sobre o assunto em epígrafe.
Cabe esclarecer que, dentro da área de competência desta pasta, o Departamento Nacional de Infra-Estrutura de Transportes – DNIT, nos termos do disposto da lei Nº 10/233/2001, é a entidade que administra a infra-estrutura do Sistema Federal de Viação constituída pelas vias navegáveis; ferrovias e rodovias federais; instalações e vias de transbordo e de interface modal e instalações portuárias. ‘’
DNIT, Processo nº 50600.003871/2006-98
“Em atenção às reiteradas solicitações do Sr. Waldimiro de Souza, desta vez dirigida ao Sr. Presidente da Republica, onde o missivista pleiteia o reinicio das obras da BR 020/BA/PI, entre Riachão das Neves/BA e Picos/PI, apresentamos as seguintes informações:
• A CGPLAN, informa que iniciou, por meio do processo n º 50600.002238/2007-06, os procedimentos preliminares, visando à licitação dos estudos de viabilidade de construção da BR 020/BA/PI, conforme demonstrado no quadro de fls. 48.
• Antecipando a esta providencia, a SR/PI, publicou e licitou, através de tomada de preço, a seleção da empresa para elaboração da Avaliação Econômica do projeto de construção da BR 020/PI, subtrecho Div. BA/PI – Coronel José Dias, segmento Km 0,0 – Km 55,0.
• Nos segmentos existentes, o DNIT está providenciando a manutenção da rodovia, de forma a continuar sua trafegabilidade.
• Há que se esclarecer que as obras pleiteadas não constam dos programas prioritários do Governo Federal, estando esta DPP procedendo as providencias para elaboração dos estudos de viabilidade, com vistas a ser verificada a possibilidade de sua execução, tendo em vista os altos investimentos a serem realizados.”

O Negro No Brasil disse...

José Carlos Neto comunidade de Santo Antonio do Guaporé

A comunidade teve origem em 1786 chegaram os 4 primeiros negros fugidos, que eram dirigidos pelo meu tetravô e viveram 24 anos, só os 4 naquela localidade, mas antes eles viviam as margens do rio... afluente do rio Guaporé, só que lá eles seriam presas fáceis dos caçadores de escravos fugitivos, ai eles vieram pra onde existe a comunidade hoje. Posteriormente eles conseguiram voltar e trazerem mulheres, daí eles foram constituindo família. O primeiro sepultamento ocorrido na nossa comunidade tem registro de 1800, temos a lapide lá até hoje, não temos registro nela, mas registro dos nosso antepassados que passaram até hoje. Nós achávamos que titulo definitivo da terra era respeitar a natureza e viver em paz com ela, o sustento tiramos tudo dela, agente respeita o meio ambiente e a natureza. No ano de 1985, criaram a reserva biológica do Guaporé com 603 mil hectares, sem fazer um levantamento antropológico pra saber se vivia já pessoas vivendo naquela área. Aí o IBAMA, antigo IBDF (Instituto Brasileiro de Desenvolvimento Florestal), chegou nas nossas casas e até faca de mesa eles tomaram falando que era arma, fizeram pressão física, terrorismo psicológico. Quando o IBDF chegou na comunidade nos éramos 486 negros em 1985 quando chegaram os primeiro funcionários. Eles começaram a fazer todo esse terrorismo e proibiram a nossa comunidade até de criar pato e galinha, porque segundo eles agredia o meio ambiente, foram expulsando alguns moradores. Em 1999 nos éramos apenas 62 negros, a maioria era adulto e criança e os outros tinham engrossado as estatísticas do lixão, da cadeia e do cemitério. Foi quando no dia 3 de julho de 99, esse restante resolveu agir, pois ou agente fazia alguma coisa pra se defender ou agente era riscado do mapa. Nesse dia nos fundamos a ecovale (Associação comunitária ecológica do vale do Guaporé). No dia 11 de agosto de 2004, quando recebemos o certificado de auto reconhecimento como comunidade remanescente de quilombo, acrescentamos quilombola ai ficou Associação comunitária quilombola e ecológica do vale do Guaporé. Com isso nos fomos conquistando alguma coisa e eu vi que aquilo não deveria ser só pra minha comunidade, porque em todas as comunidades negras do vale do Guaporé eu tenho parentes. Então eu fui buscar também o auto reconhecimento dos demais, hoje nos somos 7 comunidades reconhecidas e mais 2 em fase de reconhecimento. A ecovale é hoje a coordenação estadual dessas comunidades e travamos essa luta até hoje contra o INCRA, o IBAMA. Hoje temos um alento que é o superintendente do IBAMA que é o nosso maior parceiro. Teve um Juiz, que não conhece nada de geografia nem de comunidades tradicionais, que deu ordem de despejo pra gente. A Policia Militar que ia cumprir essa ordem, então fomos atrás de alguma entidade nacional que era a única que poderia impedir, conseguimos contato com o superintendente do IBAMA que acabou com esse despejo. Hoje já conseguimos algumas coisas na SEPPIR, no ministério do meio ambiente, fundação cultural palmares, governo do Estado de Rondônia, além disso, aliado a todo o envolvimento da comunidade de Santo Antonio temos um trabalho de preservação do rio Guaporé e das espécies que usam as praias do Guaporé pra se procriar, por exemplo, de 2008 nos vamos devolver a natureza um filhote de tartaruga número 1 milhão, esses são trabalhos que a ecovale vem desenvolvendo, já fomos tema do globo repórter duas vezes. 1 de dezembro agora estará sendo lançado um filme sobre a historia da comunidade quilombola de Santo Antonio do Guaporé, produzido pela RW. A Petrobras patrocina o trabalho ambiental que a ecovale desenvolve e agente também faz um trabalho de educação ambiental.
A nossa identidade agente já tinha no sangue, porque o avô, o bisavô, eles contavam historias e falavam dos quilombos pra gente. Nos não sabíamos onde chegar pra declarar que nos éramos quilombolas e que gostaríamos de ser respeitados como tal. Quando agente teve acesso a fundação palmares, foi um trampolim muito fácil, porque já tínhamos isso no sangue, a resistência, inclusive na nossa comunidade ainda temos algumas palavras que eram do dialeto quilombola, do banto. Um historiador ajudando a descobrir nossas raízes, descobriu que nossos ancestrais eram da Angola. Todas as comunidades tem consciência da nossa historia, de onde viemos, o que somos, no vale do Guaporé não teve esse problema. A única coisa que agente lamenta é que 3 quilombos daqui foram exterminados o piolho, guaritere, Joaquin tele. Agora nos vamos tentar reconstituir a historia dessas três comunidades que foram extintas por violência no campo. Hoje depois do nosso certificado de auto reconhecimento a comunidade aqui deu um crescimento para 108, alguns retornaram. A ecovale tem um registro dos quilombolas se casaram, se tem filhos e se saíram da comunidade. Grande quantidade desses que saíram estão esperando a titularidade da terra sair, porque eles tem medo de voltar e serem expulsos de novo.
A ecovale nasceu dentro da comunidade do santo Antonio de depois acabou virando coordenação estadual e dentro de cada comunidade formou-se uma associação ligada a ecovale.
A interação com as outras entidades quilombolas do Brasil é excelente, mas há a falta de recursos. A interação se dá mais quando há encontros promovidos pela Palmares, SEPPIR, MMA. Inclusive hoje eu faço parte da CONAQ, é extremamente importante e é onde estamos conseguindo desenvolvimento não só pra minha comunidade, mas pra outros estados do Brasil também.
Todas as comunidade quilombolas tem os mesmos anseios, as mesmas dificuldades, os mesmos problemas e a mesma esperança, mesma força de vontade de lutar por uma coisa que nos herdamos. A paciência, a perseverança e a garra nos herdamos, a resistência e é por isso que nos estamos conseguindo sobreviver até hoje. As comunidade do Guaporé tem as diferenças devido a localização geográfica, a maioria é por acesso fluvial. Hoje nos já temos duas que o acesso é de carro, mas em péssimas condições. Somente durante 4 meses do ano que nos conseguimos chegar por essas estradas. As grandes esperanças das nossa comunidades está baseada nesses encontros com outros povos quilombolas, onde trocamos muitas experiências e tentamos buscar soluções comuns para todas as comunidades, que tem problemas muito parecidos.
Agente tem que fazer uma mobilização pra tentar conscientizar as autoridades de que nos existimos e de que nos estamos sendo massacrados pelo sistema. Agente não pode generalizar porque também existem muitas autoridades que são nossos parceiros.

O Negro No Brasil disse...

Ao Excelentíssimo presidente Lula, saudações de muita paz e harmonia no seu governo. Este blog O Negro no Brasil Atual (1980), que tem uma participação de grande maioria dos seus eleitores. Vamos lembrar que a mãe preta que amamentava os filhos dos senhores de escravos, e seus próprios ficavam subnutridos, há de se lembrar que isso é um exemplo de dignidade, humildade e de extrema virtude e de doação do seu próprio leite que representa uma aliança de sangue. Posto isso sugerimos que o seu governo não destrua a imagem da mulher negra, chama o seu ministro da igualdade racial, ministro Edson Santos (SEPIR), para uma reconciliação e entendimento com a CONAQ em vez de uma nota de repúdio seja um exemplo de zumbi, “conviver em harmonia com todos os segmentos da sociedade de amor a vida e vivificá-la”. A demissão de Givânia teve a uma nota de protesto e solidariedade dos quilombolas pela sua representação de confederação, com muita humildade. Esse blog solicita essa gestão administrativa no seu governo, pela vossa experiência de sindicalistas (que é o entendimento). Paz e harmonia.
Waldimiro de Souza
http://onegronobrasil1980.blogspot.com
Nota de Repúdio pela exoneração da companheira Givânia Maria Silva, Subsecretária da SUBCOM/SEPPIR.
Leiam e repassem.
Ats,
Ronaldo dos Santos
Coord. Execut. CONAQ

Rio de Janeiro, 04 de abril de 2008.
NOTA DE REPÚDIO

A CONAQ – Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas vem através desta, externar sua indignação e seu repúdio contra a atitude desrespeitosa do Sr. Ministro da Igualdade Racial, Edson Santos, que anunciou nesta quarta-feira (03/04) a exoneração da Sra. Givânia Maria Silva, Subsecretária da Subsecretaria de Políticas para Comunidades Tradicionais da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (SUBCOM/SEPPIR ), desconsiderando todo diálogo feito com essa Coordenação em audiência realizada no dia 04 de março do corrente ano.
É fundamental apresentarmos um resgate histórico sobre a presença da Sra. Givânia Maria da Silva à frente da SUBCOM/SEPPIR. Givânia representava nessa pasta o espaço institucionalizado de diálogo do movimento quilombola, representado pela CONAQ e pelas várias Coordenações, Associações e Federações Estaduais de Quilombos existentes nas diversas regiões do país.
Para muito além de representar um cargo, a vinda de Givânia Silva a esse posto se deu a partir de um objetivo mais amplo que foi o de fortalecer e consolidar as políticas públicas voltadas às comunidades quilombolas a partir das demandas e do diálogo estreito com os próprios sujeitos dessa política, ou seja, com as comunidades quilombolas. Ressaltamos, ainda, que essa construção dialogou com a importância dada a essa política como pilar central desta Secretaria Especial.
A decisão tomada pelo Sr. Ministro, nessa quarta-feira não respeitou também o calendário eleitoral. Como é de conhecimento público, a companheira Givânia é vereadora de segundo mandato, pelo Partido dos Trabalhadores, do município de Salgueiro - PE. Uma vez tomada a decisão coletiva do movimento de que a vinda de Givânia à Seppir era estratégica para a política de quilombos, esta licenciou-se do cargo que ocupava em seu município.
Nos diálogos estabelecidos com o gabinete do Sr. Ministro, foi apontada a necessidade de que, caso viessem a ocorrer mudanças, as mesmas deveriam ser feitas antes do período de prévias dos partidos, para possibilitar a continuidade dos projetos eleitorais das comunidades quilombolas, que têm no mandato de Givânia uma forte representação das suas causas. De modo irresponsável, a exoneração da companheira deu-se posteriormente ao período de prévias dos partidos, contrariando os acordos estabelecidos e impossibilitando a continuidade do projeto de ocupar cargos eletivos em seu município para o próximo período, estratégia tão fundamental às comunidades quilombolas.
Enquanto sujeitos políticos que somos, entendemos perfeitamente como se dão essas costuras políticas, e a necessidade que um gestor tem de efetuar substituições nos quadros que compõem sua equipe. Isso, contudo, não foge à necessidade de estabelecer um diálogo de construção respeitoso e ético com os sujeitos dessa política, no desenrolar de fatores estratégicos como esse.
Repudiamos então, a atitude do Sr. Ministro que coloca em cheque a relação de confiança estabelecida com nosso movimento, uma vez que sua posição foi de que a companheira Givânia Silva não seria alvo de perseguições políticas e que sua continuidade ou não no cargo seria conseqüência dos resultados concretos de seu trabalho. Um mês depois dos compromissos assumidos, a situação se reverte e é resolvida com uma simples conversa inesperada, sem sequer um contato prévio com o movimento, no sentido de informar e justificar o que haveria de acontecer, mesmo que fosse irreversível. O ponto central desse desenrolar é que a preocupação com a condução e fortalecimento das políticas de quilombos pareceu ser a última presente na decisão tomada pelo Sr. Ministro.
Apresentamos nosso grande temor de que essa situação delicada interfira efetivamente nos resultados da política do Governo Federal voltada às comunidades quilombolas, no âmbito do Programa Brasil Quilombola, considerando que:
O diálogo entre SEPPIR e CONAQ inicia-se com um marco de relação que não preza pelo respeito às partes, nem tão pouco pela construção de diálogo conjunto que vise à construção e efetivação das políticas públicas para as comunidades quilombolas;
Há um risco real de que a interlocução entre este Governo e as comunidades quilombolas se dê por meio de organizações não governamentais do movimento negro urbano e representantes quilombolas ligadas à esses grupos, em detrimento da consolidação do movimento quilombola, situação esta vivenciada ao longo da história da SUBCOM/SEPPIR até o 1º semestre de 2007. Denunciamos ainda que essa postura não respeita as legislações que sustentam essa política, tais como a Convenção 169 da OIT.
Os investimentos da Agenda Social e do Programa Brasil Quilombola (PBQ) correm o risco de serem canalizados para esses mesmos grupos citados acima, com o claro objetivo já conhecido de fortalecê-los política e institucionalmente, não atendendo os objetos da política que é o real desenvolvimento sustentável das comunidades quilombolas e de seu movimento na defesa dos seus direitos.
Finalizando esse documento-denúncia, queremos tornar público o risco que corremos de descaso na condução da política para as comunidades quilombolas, sobretudo no que se refere à implementação efetiva do disposto no artigo 68 da Constituição Federal, do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias, bem como o disposto no Decreto 4887/2003, em relação à efetivação do nosso direito irrevogável à terra.
Diante da difícil conjuntura politica que atravessamos, onde a inoperância do INCRA se perpetua por todo Brasil, o governo propõe uma péssima versão de Instrução Normativa em substituição a de n°. 20 do INCRA, piorando consideravelmente os procedimentos administrativos para a regularização fundiária dos territórios quilombolas; o decreto 4887/07 corre o risco de ter seus efeitos anulados por decisão do STF (Supremo Tribunal Federal) e também da Câmara dos Deputados; e a articulação contrária da Bancada Ruralista, do agronegócio fortalecidas pela fidelidade da grande mídia aos seus projetos políticos, que continua cada vez melhor orquestrada, sustentados pelos projetos de infra-estrutura do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento do Governo Federal), nossa situação torna-se ainda mais delicada.
Queremos dizer com tudo isso que apesar da total insatisfação, a CONAQ, enquanto entidade de representação do movimento quilombola nacional, mantém o diálogo com esse governo, e mais do que isso, não abre mão dessa interlocução, ressaltando que não admitiremos ver mais uma vez nossas comunidades sofrendo um processo de massacre social e político extremo por todo o país, enquanto nossa política e os recursos públicos nelas aplicados servem apenas para financiar “interesses” de grupos políticos cuja prática não traduz nenhum compromisso com a política quilombola.
Atenciosamente,
____________________________________
Ronaldo dos Santos
Coordenador Executivo da CONAQ
Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas – CONAQ
jhonnyquilombola@gmail.com
rscampinho@yahoo.com.br

O Negro No Brasil disse...

Recomendo que entrem nesses sites, que são de professores e pesquisadores do Mato Grosso.
www.luizvarella.blogspot.com/

www.capoeiraroo.blogspot.com

 
Design by Free WordPress Themes | Bloggerized by Lasantha - Premium Blogger Themes | Hot Sonakshi Sinha, Car Price in India