15 julho 2006

NOTÍCIAS DA II CIAD

Por Oscar Henrique Cardoso
Assessor de Comunicação da Fundação Palmares/MinC
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II CIAD - Conferência Internacional de Intelectuais da África e da Diáspora : "A Diáspora e o Renascimento Africano" - 12 a 14 de julho, no Centro de Convenções da Bahia em Salvador/BA. (www.ciad.mre.gov.br)

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ATOR DEFENDE MAIOR PARTICIPAÇÃO DO NEGRO NO CINEMA E NA TV
Salvador, 15/7/06 – Presente ao Fórum de Diálogos África-Diáspora, no auditório Caetano Veloso, na Universidade Estadual da Bahia (UNEB), o ator Leandro Firmino lembrou que a II CIAD trouxe para o Brasil um debate único sobre ações afirmativas. Intérprete do personagem “Zé Pequeno”, no filme “Cidade de Deus”, Firmino disse que a mobilização da comunidade negra deve se mobilizar para garantir a aprovação do Estatuto da Igualdade Racial e também políticas de cotas para o ingresso de estudantes negros nas universidades brasileiras.

PRODUÇÕES COM A "CARA" NEGRA BRASILEIRA
Firmino também integra a organização não-governamental “Nóis do Morro” e lembra que a extensão das ações afirmativas também deve se estender ao cinema e a televisão. “Gostaria de ser dirigido por um diretor negro, de ver uma equipe negra no set, com atores, figurinistas, maquiadores, roteiristas e produtores. Nós negros não nos identificamos com o modelo de cinema feito ainda hoje em nosso país, confirmou.
O jovem ator carioca considerou um avanço a produção de Cidade de Deus. Um dos clássicos do novo cinema brasileiro, o filme que concorreu ao Oscar de melhor produção estrangeira apresentou ao mercado uma safra de novos atores negros. Atores e atrizes que hoje são conhecidos do grande público, como Douglas Silva, Roberta Rodrigues e o próprio Leandro Firmino, que também assistiu a mesa sobre Juventude Negra e acompanhou o lançamento da Revista Palmares-Cultura Afro-Brasileira.

ANGELIQUE KIDJO: JOVENS TEM COMPROMISSO COM O FUTURO DA HUMANIDADE
Salvador, 15/7/06 – Antes de deixar a Bahia e o Brasil, Angelique Kidjo deixou o cansaço de lado. Após interpretar canções em uma brilhante apresentação, a qual emocionou a todos que foram na noite de sexta-feira (14) até a Concha Acústica do Teatro Castro Alves assistir ao show de encerramento da II CIAD, a cantora e militante negra deixou um recado muito especial a platéia que acompanhou na UNEB a primeira manhã do Fórum de Diálogos África-Diáspora.
Nascida no Benin, Angelique fez questão de deixar claro que a juventude brasileira tem um compromisso com o futuro. Segundo ela, os negros e negras brasileiros(as) devem esquecer o lamento e a dor, e sim construir um Brasil justo, onde os negros possam ter acesso à educação, a saúde e a cultura. “Não somos inferiores, somos iguais. Temos o nosso tempo para trabalhar e também temos defeitos, pois somos seres humanos que temos o poder de vencer ou fracassar”. Uma de suas declarações fez o auditório aplaudir. Foi quando lembrou que toda a pessoa racista é “idiota”. Segundo a cantora, a “loucura humana é universal, porque não tem cor, língua e classe social".
FRASES - O que disse Angelique Kidjo:
“O que encontrei na Bahia foi uma diáspora negra”.
“Se formos divididos, não seremos nada”.
“A imagem do negro no mundo é a imagem do pobre, do miserável. O negro construiu a riqueza dos países ricos”.
“Toda a fortuna das nações mais desenvolvidas foram construídas com nosso suor. É de nosso dever que tudo o que plantamos fique conosco”.

VERTENTES LITERÁRIAS NO FÓRUM SOCIAL FORAM ALÉM-MAR
Salvador, 15/7/06 - A primeira mesa do Fórum de Diálogos África-Diáspora, realizada na Universidade Estadual da Bahia (UNEB), expôs as “Vertentes Contemporâneas das Literaturas Africanas e Diaspóricas". O presidente da Fundação Cultural Palmares, Ubiratan Castro de Araújo anunciou o lançamento do segundo número da Revista Palmares Cultura Afro-rasileira. Com 96 páginas, traz como matéria de capa entrevista feita com Makota Valdina into e outros destaques para a cultura Hip Hop e a história de outra personalidade negra: a escritora Carolina de Jesus.
Em sua participação, o escritor Luis Carlos Amaral Gomes (também conhecido como Semog) fez um resgate histórico da litertatura negra brasileira. Segundo ele, a formação de uma identidade literária negra brasileira começou a crescer entre as décadas de 70 e 80. Semog lembrou que ao se falar em literatura negra brasileira, se reportava a visões românticas coloniais, onde o negro sempre aparecia de forma submissa e escrava. A produção literária, para o escritor, passou a ser utilizada como arma de denúncia a partir da promoção de encontros, onde escritores produziam após manifestos e as palavras se tornavam ecos de conscientização sobre o racismo e a violência contra a cultura e religiosidade afro.

MODELOS COLONIAIS PORTUGUESES TAMBÉM EM ANGOLA
No continente africano a realidade não foi diferente. Com uma presença dominante européia mais prolongada em relação ao Brasil, o reitor da Universidade Lusíada de Angola, Manoel Lima, contou que países da África Portuguesa, como Angola, absorviam um estilo culto ditado pela Europa. Mais precisamente liam e escreviam aquilo que Portugal os ditava. Em seu país, onde mais de 90% da população é negra, o reitor declarou que até 1975, 62% dos escritores angolanos eram brancos e 34% eram mestiços. Em meio a esse quadro nascia então uma ambigüidade, onde mesmo aceitando e absorvendo os valores lusitanos, escritores negros angolanos começavam a se manifestar contra tudo o que era ditado pelo espírito português de ser.

ORALIDADE E HOMENAGENS AOS ANCESTRAIS
Esmeralda Ribeiro frisou que nosso estilo literário se baseia na continuidade da oralidade negra, a qual os mais velhos contam histórias para os mais novos, com o intuito de propagar a sabedoria para as próximas gerações. Para ela, a II CIAD foi fundamental para garantir uma reaproximação histórica e intelectual entre o Brasil e a África e cita a aplicação da Lei 10.639, de 9 de janeiro de 2003, como instrumento para afirmar o ensino da cultura e da história afro-brasileira em sala de aula. “É um importante recurso para divulgar a literatura negra e seus escritores”. Conceição Evaristo, autora de inúmeros livros, entre eles “Ponciá Vicêncio” leu para a platéia o poema “Voz das Mulheres”, cuja interpretação dedicou à Mãe Beata de Iemanjá.
Márcio Barbosa, responsável pelo selo editorial Quilombhoje citou com satisfação a existência dos Cadernos Negros, que chega a 28 anos de existência sem interrupções. “O Quilombhoje garante a divulgação, de forma independente, de novos
escritores negros, dando visibilidade a novas produções”, comemorou.
A mesa motivou a participação de presentes ao auditório Caetano Veloso. O jornalista e psicólogo Severino Lepê Correia, fez uma homenagem a todo o público que estava na UNEB, interpretando uma canção, onde falava da importância dos orixás e de todo o ancestral negro. Aplaudida de pé, Mãe Beata de Iemanjá recitou algumas palavras que fez e as dedicou a Zumbi dos Palmares, seu grande inspirador na luta pela igualdade racial e defesa da religiosidade negra. A sessão foi encerrada com coquetel e lançamento do segundo número da Revista da Fundação Cultural Palmares. A publicação
pode ser conferida no Portal da FCP, no endereço www.palmares.gov.br

JUVENTUDE NEGRA GRITA POR VOZ E VEZ NA UNIVERSIDADE E NO MERCADO DE TRABALHO
Salvador, 15/7/06 – Não queremos apenas a concessão de um programa de acesso à universidade. Queremos sim acesso a vagas de nível superior no mercado de trabalho, bolsas de iniciação científica e respeito a nossa história, religião e ancestralidade. A frase da militante jovem Luciana Brito, de Salvador, confirma a opinião dos participantes da mesa “Perspectivas para a Juventude Negra na África e na Diáspora”, no Fórum de Diálogos África-Diáspora. A atividade está reunindo intelectuais, militantes do Movimento Negro e público em geral no Auditório Caetano Veloso, da UNEB.
No momento em que a sociedade brasileira está vivenciando um intenso debate em torno da aprovação do Estatuto da Igualdade Racial, a qual inclui a ampliação do sistema de cotas para estudantes negros para o ensino superior, a opinião dos participantes da plenária foi única, ao exigir dos jovens uma maior participação de toda a comunidade negra nas decisões políticas.

PAINÉIS DE DEBATES NA II CIAD
Para Lia Maria dos Santos, integrante do Enegreser, Coletivo Negro do Distrito Federal e Entorno, a II CIAD foi fundamental para aproximar os brasileiros dos intelectuais contemporâneos africanos. A rapper gaúcha Malu Viana avaliou a II CIAD de forma positiva para a formação de um novo pensamento africano, mas lamentou a falta de painéis específicos para a juventude negra. A mesma avaliação foi feita pelo também militante pernambucano Fábio Gomes. Fábio ainda foi além às suas Considerações. Fábio declarou que as instituições governamentais devem sim ofertar mais espaços de decisão para os jovens. “Por que não nos colocar junto ao Ministério
da Fazenda para atuar na liberação de recursos que permitam a melhoria das condições de vida para os jovens”, questionou.

GUINÉ-BISSAU: ESCOLA ATÉ O ENSINO MÉDIO
Enquanto que no Brasil se vive um momento de discussões sobre ações afirmativas, na Guiné-Bissau existem apenas duas universidades - criadas há pouco mais de dois anos, as duas instituições estão em fase de implantação - e o acesso do jovem ao ensino superior só acontece graças a um convênio cultural firmado entre o país com o Brasil. Estudantes da Guiné-Bissau vem para o Brasil cursar o ensino superior e após retornam ao país para prestar serviços comunitários, como forma de custear o investimento feito pelo país para a formação em terras brasileiras. A estudante Artemisa Monteiro hoje estuda no Brasil. Segundo ela, a promoção da II CIAD serviu para apresentar uma novo olhar sobre o continente africano. “Temos sim pensadores,
intelectuais, artistas. Estes não estão junto às classes dominantes de nossos países”, disse. Artemisa relatou ao público que a realidade do jovem em seu país (a Guiné-Bissau) não é diferente da realidade do jovem brasileiro. “Muitas vezes temos que sepultar nossos sonhos de sermos mestres e doutores. Em nosso país, independente desde 1975 e com histórias de guerras civis e dominação portuguesa, muitos jovens só estudam até o ensino médio. Os que conseguem bolsas para estudar no exterior fazem uma diáspora oficial. Os que não conseguem partem para o mercado de trabalho, onde
recebem baixos salários”. Artemisa conclamou a todos os brasileiros e brasileiras a lutar pela promoção da igualdade racial, pois, conforme ela, só assim haverá a chance de se viver em uma sociedade justa e sem racismo.

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ROTEIRO NA CASA BRANCA E NA GOMÉIA
Salvador, 14/7/06 - Momentos de muita alegria e emoção marcaram o reencontro tão esperado entre brasileiros e africanos. A união entre cultura e religião realizada na noite desta quinta-feira nos terreiros do Bogum (de Nação Jeje e tradição Fon), da Casa Branca (de Nação Ketu e tradição Ioruba), na capital baiana e de São Jorge Filhos da Goméia (de Nação Angola e tradição Bantu), situado em Lauro de Freitas, na Grande Salvador marcaram a intensa programação da II CIAD.
O roteiro de visitas começou no Terreiro do Bogum, localizado no Engenho Velho da Federação. Filiados do espaço, liderado pela Nadojhí receberam a comitiva oficial, que conduziu o pesquisador e Ati da Federação Nacional dos Praticantes de Vodu Haitianos, Max de Beauvoir e a também integrante da federação haitiana, Carline Viergelin. O grupo também foi integrado pelo presidente da Fundação Cultural Palmares/MinC, Ubiratan Castro de Araújo e por demais líderes de religiões de matriz africana.

RETRIBUIÇÃO E SATISFAÇÃO COM O BRASIL
Max de Beauvoir declarou a profunda emoção em visitar um terreiro onde se pratica o vodun, semelhante ao que comanda no Haiti. Disse ainda que aproveitou a oportunidade para retribuir a visita feita pelo presidente da FCP/MinC, Ubiratan Castro, ao Haiti no ano passado. A líder da casa, Nadojhí Índia também agradeceu a presença dos visitantes, pois considerou a presença de todos um reencontro entre dois povos que foram separados pelo Oceano Atlântico e também por uma história de dor e de luta. "Vodun não é somente um culto à vida, mas também é uma forma de manter a vida", disse Beauvoir aos presentes na cerimônia, que terminou com um jantar oferecido. O cardápio é claro foi com o melhor da culinária baiana: arroz, feijão fradinho, acarajé, caruru, abará, xinxin de galinha, entre outras iguarias.

FUTURA VISITA AO HAITI
Um convite especial animou aos freqüentadores do Terreiro do Bogum. Max de Beauvoir fez questão de convidar o presidente da FCP/MinC, Ubiratan Castro de Araújo, a retornar ao Haiti, para conhecer mais sobre o Vodun e a religiosidade haitiana. O dirigente federal agradeceu ao convite e também estendeu, em um futuro, a oportunidade de levar um grupo de praticantes do vodun do terreiro do Bogum ao Haiti.

ROTEIRO NA CASA BRANCA E NA GOMÉIA
No Terreiro da Casa Branca, localizado na Avenida Vasco da Gama, um grupo de africanos também foi recepcionado pelos filiados da casa, liderada pela yalorixá Mãe Tatá. Ao som de tambores, o culto aos orixás marcou um belo momento de integração, onde a irmandade entre os dois continentes respondeu positivamente a proposta da II CIAD.
O espaço do Terreiro São Jorge Filhos da Goméia, de Mãe Mirinha foi pequeno para abrigar os moradores das redondezas e também as personalidades que estiveram no local como o embaixador de Angola na Unesco, Jacka Jamba, o reitor da Universidade Lusíada de Angola, Manuel Santos Lima e o ministro da Cultura de Angola, Boaventura de Silva Cardoso. Os dirigentes angolanos ressaltaram aos presentes a importância da realização da II CIAD para o Brasil e também para a Bahia. A conversa informal terminou com muita festa e muita dança, ao som do bloco afro Bankoma. Jovens e crianças que participam de projetos comunitários desenvolvidos no terreiro da Goméia também participaram da noite, considerada histórica pelos líderes mais antigos do local.

PRÊMIO NOBEL DA PAZ CONCLAMA JOVENS E MULHERES PARA PROMOVER A DEMOCRACIA
Salvador, 14/7/06 - A Prêmio Nobel da Paz de 2004, a queniana Wangari Mathaai, aproveitou sua presença na II CIAD para fazer um único pedido aos jovens e as mulheres brasileiras. A ambientalista de 66 anos, muito bem vividos conforme declarou, pediu para que os jovens e as mulheres brasileiras promovam a democracia.
Para Wangari Mathaai, os países ricos devem garantir ações que promovam a melhoria das condições de vida dos países do Terceiro Mundo. Também destacou a educação como principal caminho para tirar os jovens do tráfico de drogas e, acima de tudo lembrou o papel das mulheres e dos jovens na promoção do debate pela democracia.

COTAS JÁ
O debate ao qual participava a Prêmio Nobel e demais intelectuais africanos e da diáspora foi interrompido por uma manifestação pacífica. Estudantes afrodescendentes e integrantes do Movimento Negro Unificado (MNU) protestaram no auditório do Centro de Convenções exigindo a manutenção e a ampliação do sistema de cotas nas universidades brasileiras. Hoje, mais de 30 instituições aderiram à iniciativa, como política de ação afirmativa.

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PRESIDENTE DE CABO VERDE DEFENDE O FORTALECIMENTO DA DEMOCRACIA RACIAL PARA ADVOGADOS AFRODESCENDENTES
Salvador, 13/7/06 - O modelo colonial branco, no caso o português, deixou para as nações africanas inúmeras cicatrizes sociais. Uma delas foi a da classificação dos cidadãos. O homem branco, no caso o português, tinha plenos direitos e podia escravizar e explorar os seus subordinados. O homem assimilado era o negro e o Mulato, o qual devia submissão ao seu patrão e o indígena era então considerado um ser animal, sem raciocínio e sem o poder de ter voz ativa junto à sociedade. Foi assim que o presidente de Cabo Verde, Pedro Pires, pautou a sua participação no Primeiro Encontro Internacional dos Advogados Negros na Diáspora, realizado nesta
quinta-feira no Hotel Tropical da Bahia. Bastante aplaudido por advogados e estudantes de Direito do Brasil e da África, que se encontram na capital baiana participando da II CIAD, Pedro Pires fez um chamamento a todos os juristas: é preciso vencer a discriminação racial com a promoção de ações que exigam o respeito ao cidadão, principalmente junto aos países que ratificaram a Declaração dos Direitos Humanos junto a Organização das Nações Unidas (ONU).

RACISMO COMO MARCA DE DOR E SOFRIMENTO
Pedro Pires fez um resgate histórico da sociedade caboverdeana. Com pouco mais de 30 anos de independência, a ex-colônia portuguesa também teve uma história semelhante aos demais países africanos. Uma saga de dor, sofrimento, exclusão e exploração econômica. "Não havia uma mobilidade social, mas sim um sistema de castas, onde os negros ficavam no quintal e os brancos eram os donos de negócios", contou. Hoje, Pedro Pires lembra que seu país vive uma democracia racial, onde há respeito entre todos os cidadãos. "Cabo Verde é uma nação mestiça. Não há brancos puros, tampouco negros puros. Há uma mestiçagem e isso é bastante favorável para o desenvolvimento
social de nossa nação", apontou Pires, lembrando que seu país desperta uma certa "inveja" entre os outros estados africanos, tal é a liberdade de ir e vir de todos os cidadãos.

ESTADOS UNIDOS DA ÁFRICA: PROJETO A LONGO PRAZO
Mesmo assim, o dirigente caboverdeano salientou que a criação dos Estados Unidos da África - proposta defendida pelo presidente do Senegal, Abdoulaye Wade, durante a abertura da II CIAD - é um projeto para o continente africano a longo prazo. Para Pires, os países precisam primeiramente desenvolver o crescimento político e social, em caráter interno. Só assim, ressaltou, a África poderá pensar em se tornar um bloco econômico e social unificado, com força para se posicionar com respeitabilidade junto aos blocos europeu e norte-americano. Pires concluiu sua presença no encontro de advogados lembrando que deseja conhecer outros países da América do Sul, em especial a Colômbia e o Equador, pelo fato de também ter uma população afro-descendente. O presidente de Cabo Verde disse que todos os cidadãos
devem se indignar contra o racismo e que acreditar na possibilidade de ver um mundo mais justo. "A África do Sul, por exemplo, não é mais aquela nação segregária que era. Aquele monstro do apartheid não existe mais. Hoje os sul-africanos são cidadãos livres. Este mundo que sonhamos, sem racismo, é possível", concluiu Pedro Pires.

ADVOGADOS AFROBRASILEIROS QUEREM MAIOR INTEGRAÇÃO COM COLEGAS AFRICANOS
Ao agradecer a presença do presidente de Cabo Verde no Encontro Internacional dos Advogados Negros na Diáspora, a presidente da Associação Nacional de Advogados Afrodescendentes, Sílvia Cerqueira, declarou que este primeiro encontro traz como proposta mapear áreas onde a presença do advogado se faz necessária, já que poucos profissionais, segundo ela, atuam na defesa e na promoção da igualdade racial por não conhecerem a realidade existente. O evento também tem o caráter formativo, pois pretende capacitar os profissionais e futuros advogados a atuar na área racial, tanto a nível nacional quanto internacional. Ao comemorar a realização da II CIAD em
Salvador, Sílvia Cerqueira lembrou aos convidados, e também ao presidente de Pedro Pires, o desejo de buscar o apoio da nação caboverdeana para realizar, em um futuro breve, um encontro de advogados afrodescendentes em continente africano. Pedro Pires sinalizou como positiva a possibilidade de apoiar a promoção de evento similar em Cabo Verde.

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PRESIDENTE DO SENEGAL PROPÕE BLOCO ECONÔMICO E CULTURAL PARA A ÁFRICA E DIÁSPORA
Salvador, 12/7/06 - Uma aliança pan-africanista, composta por todas as nações africanas e da diáspora, com propósito de fortalecer o crescimento cultural, social e econômico do continente africano foi a proposta apresentada pelo presidente do Senegal, Abdoulaye Wade, durante abertura oficial da II Conferência de Intelectuais da África e da Diáspora, que reunirá na capital baiana mais de 1.000 intelectuais até o próximo sábado, dia 15. Presente à abertura oficial, o presidente Lula também foi bastante aplaudido ao ressaltar o papel fundamental que o Brasil passa a adotar
como promotor de uma agenda conjunta pelo desenvolvimento intelectual e social das Américas e da África. A proposta do dirigente senegalês, ganha coro também em outros dirigentes africanos presentes no colóquio internacional.

PAN AFRICANISMO COMO INSPIRAÇÃO
Wade ainda ressaltou o aprendizado que teve em sua formação política com o pan-africanismo. Para o dirigente da nação situada na porção norte do continente, defronte ao Oceano Atlântico - distante apenas três horas e meia de avião de Recife, capital pernambucana - apenas com a união e todas as 53 nações africanas em torno da construção de uma nova identidade será possível assegurar esforços para resolver os problemas sociais do continente, em tempos de globalização e massificação cultural.
Esta "parceria", para Wade, passa sim pelo Senegal assumir esta proposta, integrando no mesmo bloco africano, toda a América do Sul e o Caribe. "Ao introduzirmos esta
aliança pan-africanista, nos propomos a caminhar em sentido contrário ao nacionalismo e os regimes individuais, tão presentes no Século XXI.

APOIO TAMBÉM PELA UNIÃO AFRICANA
A iniciativa de se constituir um bloco pan-africano encontra também apoio no
pronunciamento do presidente da União Africana. Em seu pronunciamento, o ex-presidente do Mali, Alpha Oumar Konaré, também ressaltou que a pactuação de uma nova união africana não vai fragmentar a identidade dos países, mas sim irá envolver o continente com uma outra África, que está sim na Diáspora. Referindo-se a II CIAD, Konaré também fez referência a encontros históricos realizados em décadas anteriores, os quais também abordavam os vínculos dos países em torno da construção e um bloco africano. Sobre a reunião de intelectuais na Bahia, o dirigente da União Africana desde 2003 lembrou que os intelectuais tem o papel fundamental de formatar uma nova África, múltipla e diversa nas formas de pensar e produzir novas iniciativas. "A Nação Africana é a única que vai nutrir as crianças e vai tirar o africanos da marginalidade econômica e social. Fará com que nosso continente seja um parceiro respeitável das grandes comunidades internacionais", concluiu o presidente da União Africana.

ABDIAS DO NASCIMENTO RECEBE A ORDEM DO RIO BRANCO
Ex-senador, militante, escultor e artista plástico, Abdias do Nascimento passa a contar, no auge dos seus 94 anos, com a mais importante honraria do Estado Brasileiro. O criador do Teatro Experimental do Negro recebeu das mãos do presidente Luís Inácio Lula da Silva a medalha da ordem do Rio Branco. Ao impor a insígnia sobre Abdias, o público aplaudiu o militante de pé. Emocionado, Abdias retribuiu o gesto levantando o braço e fazendo um gesto de vitória, dedicado os convidados que assistem a conferência no Centro de Convenções da Bahia, completamente otado. O ex-senador também recebeu o carinho da titular da Secretaria Especial de Políticas de
Promoção da Igualdade Racial, através da ministra Matilde Ribeiro.

 
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