08 julho 2006

SEPPIR TRAZ RECURSOS PARA O CCN

Photobucket - Video and Image Hosting
Em visita ao Estado, a ministra Matilde Ribeiro da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir) foi recebida pela Secretaria de Estado da Cultura (Sedac), através do Museu Antropológico do RS (MARS), pela Rede Social do Sesi do Sistema FIERGS (Rede Social), pela Associação Negra de Cultura (ACN) e pela Associação Cultural de Mulheres Negras (ACMUN), na sede do CENTRO DE CULTURA NEGRA do RS (CCN) na Av. João Pessoa, nº 1110 - Porto Alegre.

“Governo Federal e Estadual, iniciativa privada e sociedade civil reunidos: uma parceria de peso”, ressaltou a ministra ao referir-se ao avanço de já se ter o prédio para o CCN. No encontro, o grupo impulsionador do CCN conversou sobre os recursos que serão repassados ao projeto do centro, através da Seppir, bem como sobre os benefícios pleiteados junto a Petrobras.

O CCN será um espaço de preservação, recuperação, proteção e divulgação da história da África e dos africanos, da luta dos negros/as no Brasil, da cultura negra brasileira, do negro na formação da sociedade nacional e do resgate da contribuição do povo negro nas áreas social, econômica e política do Brasil, com ênfase na cultura afro-gaúcha. O CCN, além de tudo, movimentará o turismo étnico do RS.

HISTÓRICO DO CCN

A Profa. Yvanilda Belegante mantém a Biblioteca do Negro: “Maria Helena Vargas da Silveira”, em sua casa na cidade de Viamão/RS. Em 2004, a Biblioteca do Negro foi apresentada à Rede Social para uma possível parceria, incluindo a ACMUN e integrantes da sociedade civil, na criação de uma biblioteca pública sobre a temática do negro. Ampliando a proposta, o grupo impulsionador passou a elaborar o projeto de um Centro de Cultura do Negro no RS.

Em 2005, durante o Fórum Social Mundial, o grupo idealizador recebeu o apoio da Articulação de ONGs de Mulheres Negras Brasileiras (AMNB) e da Seppir, em audiência com a ministra Matilde Ribeiro, para a criação do CCNCentro de Cultura do Negro. Na ocasião, a ACMUN convidou a Seppir para um seminário sobre a formação do CCN.

Em abril, a Profa. Yvanilda Belegante preferiu desligar-se do grupo e continuar seu trabalho junto à Associação Clara Nunes (http://associacaoclaranunes.ubbihp.com.br/pagina2.html). Mesmo assim, a Seppir participou do seminário (08/04/05) promovido pela Rede Social, a ACMUN e com a participação de representantes da sociedade civil na FIERGS. O seminário teve a orientação das assessoras da Seppir, Dra. Maria Inês Barbosa e Renata Barbosa, integrante do grupo de criação do Museu Afro-Brasil de São Paulo, para a elaboração do projeto do CCN, quando passou a ser chamado de CENTRO DE CULTURA NEGRA do RS.

Em junho, por indicação da Profa. Dra. Sissa Jacoby, a Sedac recebeu a Rede Social, a ACMUN e a ACN, através do poeta Oliveira Silveira, e somou-se ao projeto indicando o MARS como representante do Estado na criação do CCN.

Em novembro, Mês da Consciência Negra, a Sedac, o MARS, a Rede Social e a ACMUN firmaram convênio de criação do CCN, endossado pela assinatura, como testemunha, do Secretário da Educação do RS, José Fortunati. Em fevereiro de 2006, o Secretário da Cultura Roque Jacoby concedeu o uso do prédio da Av. João Pessoal, Nº 1110. Local significativo para os afro-gaúchos por ser localizado na antiga Colônia Africana de Porto Alegre, próximo ao Parque da Redenção, onde os africanos foram alforriados, em 1884.

À frente do projeto, a ACMUN recebeu o imóvel em condições precárias de conservação. As goteiras alagavam o local, a população excluída e indigente usava o imóvel como dormitório, os banheiros destruídos, as estruturas de madeira (piso e telhado) danificadas gravemente, entre outros problemas. Mas a força de vontade do grupo impulsionador do CCN vem buscando alternativas para a estruturação do CENTRO DE CULTURA NEGRA, além de buscar recursos para a reforma do prédio.

Vários deveriam ser os espaços de divulgação da cultura afro-gaúcha no Rio Grande do Sul, servindo de visibilidade da comunidade negra do Estado. O RS tem 30% de descendentes de africanos, segundo pesquisas que contrariam o IBGE, que ainda não dá conta das mais de 40 etnias que compõem o RS.

LUTA HISTÓRICA

Na era das grandes navegações e descobrimentos, os portugueses sempre tinham africanos em seus contingentes. No RS, acredita-se que mesmo antes do Séc. XVII, a cultura africana vem sendo preservada em territórios negros como nos quilombos, nas irmandades religiosas, nos clubes sociais, com a imprensa negra, entre outros espaços de resistência cultural. Esses e outros dados vêm sendo desvendados em pesquisas referentes ao negro no Sul, que transcendem o tema da escravidão.

Na década de 80, o prefeito de Porto Alegre, Alceu Collares destinou dois terrenos próximos à Rótula do Papa, no bairro Azenha, para a Associação Negra de Cultura (ANC) criar um espaço próprio para a cultura afro-brasileira. Segundo Oliveira Silveira, da ANC, a reivindicação foi torpedeada durante toda a gestão posterior levando ao fim do projeto.

Na década de 90, o governador do RS, Alceu Collares, instituiu o MUSEU DOS CULTOS AFRO-BRASILEIROS DO RS, através do Decreto 35.771, em 29 de dezembro de 1994. Em 2005, o governador do RS, Germano Rigotto constitui uma comissão, com representantes da Secretaria de Estado da Cultura (Sedac), Secretaria do Trabalho, Cidadania e Assistência Social (STcas), do Conselho de Participação e Desenvolvimento da Comunidade Negra do Rio Grande do Sul (Codene) e da Fundação Léopold Sédar Senghor, presidida por Mauro Leal Paré, para criar o museu. Os afro-gaúchos ainda aguardam uma sede, para a preservação da história das várias linhas da religiosidade de matriz africana.

Ainda na década de 90, ao lado de outros ativistas do Movimento Negro gaúcho, o militante Fernando Moreira, presidente do Instituto Brasil África (IBÁ) protagonizou a campanha pela implantação do Centro de Referência Afro-Brasileiro (CRAB), em Porto Alegre. O CRAB é uma das ações do Núcleo de Políticas Públicas para o Povo Negro, da Prefeitura Municipal de Porto Alegre. O CRAB ainda aguarda uma sede, para contemplar uma biblioteca, eventos, capacitação para o trabalho, cozinha africana e afro-brasileira, alojamento, quadras para atividades desportivas, áreas externas para atividades de educação ambiental e cultivo de vegetais com significado para a cultura e as religiões de matriz africana.

No início do Séc. XXI, a Secretaria de Estado da Cultura do RS (Sedac), através de seu titular Luiz Marques, engajou-se no projeto de criação do CENTRO CULTURAL BRASIL ÁFRICA , como extensão do CRAB, iniciativa da comunidade negra em conjunto com a Prefeitura Municipal de Porto Alegre. À frente do projeto, o Instituto Brasil África (IBÁ) iria receber um prédio na Rua dos Andradas, em alusão ao emblemático jornal O Exemplo, imprensa negra gaúcha (1892 até 1930), estabelecida no antigo prédio do Cine Cacique, também na Rua dos Andradas, próximo à Companhia Caldas Júnior. Seria um ponto de encontro, contando com uma biblioteca pública temática Africana e Negra, com espaço para exposições de artes plásticas e visuais, computadores para acesso público e pesquisas sobre a cultura afro-brasileira e africana. O projeto ainda não saiu do papel.

0 comentários:

 
Design by Free WordPress Themes | Bloggerized by Lasantha - Premium Blogger Themes | Hot Sonakshi Sinha, Car Price in India