11 outubro 2006

BAILE DOS QUILOMBOLAS EM CAPÃO DA CANOA

por José Antonio dos Santos da Silva

Participe do Baile dos Quilombolas!

Promoção: Associação Comunitária Rosa Osório Marques
Animação: Bandas Locais e Atrações
Dia: 13 de Outubro de 2006
Horário: 22:00
Local: CCFC - Av. Paraguassú, 2361
Capão da Canoa
Ingressos Antecipados: Ela: R$ 5,00 e Ele: R$ 8,00
(51)3665-2312 ou 3665-1313 ou 9701-6519

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QUILOMBO DO MORRO ALTO

por Ricardo Queiroz, www.ojornalzinho.com.br

No ano de 1719, a expedição de João de Magalhães transitou pelo litoral norte do Rio Grande do Sul e pelos campos de Viamão. Esta expedição partiu da cidade catarinense de Laguna. O capitão-mor de Laguna requereu-se para si um conjunto de terras entre o rio Tramandaí e o Rio Grande.

No ano de 1852, na localidade denominada Capão Alto, um pouco ao norte de Capão da Canoa (cujo nome antigo era Capão da Negrada) desembarcou um navio negreiro. Os negros apreendidos deste navio eram em sua totalidade do Congo. Este episódio é considerado por muitos como a origem do quilombo do Morro Alto.

Morro Alto era o nome de uma das fazendas de Conceição do Arroio, que pertencia as famílias Marques da Rosa e Nunes da Silveira . Em meados do século XIX essas famílias foram acumulando propriedades em Conceição do Arroio, primeiro nome da Cidade de Osório.

Nos anos de 1883 e 1884 provavelmente os escravos desta fazenda tenham sido todos alforriados de várias maneiras. Um inventário feito nesta fazenda doou a alguns escravos partes da fazenda do Morro Alto.

Antes da construção da estrada as relações comunitárias se expressavam por maio do uso dos caminhos que cruzavam os morros. Essas trilhas pelo meio do mato são lembrados como contato entre as senzalas, por onde vinham os escravos para as suas festas.

O distrito de Morro Alto, que já pertenceu à Osório, faz parte atualmente de Maquiné (RS) , litoral norte do Rio Grande do Sul, e que fica aproximadamente 120 km de Porto Alegre. A população desta comunidade, com aproximadamente 500 habitantes, é na sua maioria formada etnicamente de negros e mulatos. Agricultura, pecuária e extração de basalto são as principais fontes de renda do local. Apesar do decorrer dos tempos não ocorreu um grande desenvolvimento do local. Há apenas uma escola de 1° grau, um posto de saúde e o comércio local não é diversificado.

Desde a década de 60 a população negra de Morro Alto vem lutando pela sua afirmação de identidade, regularização fundiária e pela atenção das ações políticas públicas em relação aos direitos do afro descendentes no Brasil. No ano de 2001, a comunidade apresentou sua demanda de regularização das terras ocupadas e a recuperação daquelas perdidas de diversas formas, inclusive pelo atual projeto de duplicação da BR 101.

A Associação Rosa Marques, criada pela comunidade negra de Morro Alto emergiu no contexto de realização de reuniões sistemáticas na comunidade, a partir da realização das atividades do projeto de reconhecimento implementado pelo Convênio Governo do Estado/Fundação Cultural. Esse processo iniciou em setembro de 2001.

A constituição da Associação incrementou seu movimento reivindicatório pelo reconhecimento de suas terras, pari passu outrora, como naqueles espaços em que os negros se reuniam. As reuniões realizadas estão reunindo inúmeras pessoas que mostram-se bastante interessadas nos diferente assuntos que as dizem respeito.

Fonte:www.wikipedia.org

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ENTENDA COMO O GOVERNO BUSCA AMENIZAR O
IMPACTO PARA QUILOMBOLAS NA ROTA DA BR-101 SUL


por Paulo Machado e Eliane Gonçalves

Morro Alto (RS) - Um dos principais os impactos ambientais que a obra de duplicação de rodovia BR-101 Sul está causando é a alteração do ambiente onde vivem as comunidades remanescentes do Quilombo de Morro Alto, no município de Maquine (RS). Segundo a antropóloga Cíntia Beatriz Muller, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), são 230 famílias que reivindicam uma área de aproximadamente 4.630 hectares.

A pesquisadora explica que os quilombolas de Morro Alto são provenientes de um antigo quilombo formado por velhos libertos pela Lei dos Sexagenários (1885), foragidos, escravos em trânsito entre senzalas, e africanos livres desembarcados ilegalmente no litoral. Há uma especificidade de que uma ex-senhora de escravos da região, chamada Rosa Osório Marques, doou em testamento um legado de terras para alguns de seus ex-escravos.

Morro Alto também é famoso desde 1872 por seu "Maçambique", congada que se realiza anualmente no dia 13 de maio, quando Nossa Senhora do Rosário visita São Benedito na localidade de Aguapés, e em outubro, na cidade de Osório (RS). Atualmente, grande parte dos dançantes e demais componentes do grupo vivem em Osório, mas os ex-maçambiques de Morro Alto, seguidamente, rememoram sua impressões das festas de antigamente.

A comunidade negra de Morro Alto e seus vários núcleos estão localizados ao longo da BR-101 que, atualmente, está sendo duplicada. De acordo com informações registradas pelo Observatório Quilombola (www.koinonia.org.br), em audiência pública realizada no Ministério Público Federal, em julho de 2005, foi oficializado compromisso por parte do Departamento Nacional de Infra-Estrutura de Transportes (Dnit) de suspender o pagamento das indenizações no trecho Osório, Maquiné, na área que se encontra sob análise por parte do Incra/RS, para a titulação do quilombo de Morro Alto.

Nessa mesma audiência, o Incra se comprometeu a elaborar o levantamento da cadeia dominial para apurar quem são os verdadeiros donos das terras, uma vez que há controvérsias entre os quilombolas e pequenos agricultores que reivindicam para si a propriedade. Na ocasião, o representante da Secretaria Especial de Promoção Politicas de Igualdade Racial (Seppir), Ivan Brás, afirmou que "é de interesse do governo federal tanto a manutenção dos quilombolas em sua área quanto à duplicação da BR-101". Enquanto o caso não se resolve na justiça, o procurador-geral do Dnit, Júlio Cezar Pereira, afirmou que o dinheiro das indenizações será depositado em juízo.

Na mesma audiência, provocada pelos quilombolas e pelo Ministério Público do Estado do Rio Grande do Sul, o presidente da Associação Comunitária Rosa Osório Marques, Wilson Marques da Rosa, denunciou "o uso indiscriminado dos recursos naturais da comunidade nas obras de duplicação da BR-101". A construção do complexo de túneis de Morro Alto, que encurtará o traçado da estrada em 11 quilômetros, "abre um rombo imenso, indescritível, em área quilombola, que também é uma área de reserva da biosfera que possui os últimos resquícios nativos de Mata Atlântica no estado do Rio Grande do Sul", afirmou o líder quilombola.

Para a coordenadora-geral de Meio Ambiente do Departamento Nacional de Infra Estrutura de Transportes (Dnit), Ângela Parente, a alternativa para amenizar o impacto foi a construção do túnel de Maquiné, em Morro Alto. "Provavelmente essa também será a solução para transpormos o Morro do Algodão, em Santa Catarina, ocupado por uma aldeia indígena Guarani", concluiu.

Inaugurada em 1968, a rodovia, que atravessa 27 municípios no trecho entre Florianópolis (SC) e Osório (RS), na época se constituiu na principal via de comunicação para os habitantes ribeirinhos. Agora a estrada precisa crescer, dobrar de largura, para dar passagem a oito mil caminhões, centenas de ônibus e 20 mil carros de passeio que diariamente trafegam rumo ao norte ou ao sul, não mais só da região ou do estado, mas do continente, se constituindo em um dos principais canais para a integração dos países da América do Sul.

Fonte: www.radiobras.gov.br

1 comentários:

tAlita disse...

olá meu nome é Talita, sou estudante de história, Ulbra Torres, e gostaria de ver se você poderia me enviar alguns materias sobre a história do negro no litoral norte gaúcho!adorei seu blog e suas publicações!
(talitabgomes@hotmail.com)
Obrigada!

 
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