28 novembro 2006

IPHAN DISTRIBUI A CARTILHA "O NEGRO NO RIO GRANDE DO SUL"

por Lucas Rosa

Photobucket - Video and Image Hosting

Em fevereiro de 2006 foi lançada a cartilha "O Negro no Rio Grande do Sul", elaborada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional/IPHAN e a Organização de Mulheres Negras Maria Mulher, com o apoio da Fundação Cultural Palmares.

A finalidade da Cartilha é contribuir para o reconhecimento da importância da presença negra em nosso estado. A distribuição gratuita tem priorizado escolas, instituições culturais, Secretarias Municipais do Rio Grande do Sul e entidades do Movimento Negro.

Com o término das eleições, voltamos a distribuir a cartilha, já que durante esse período estivemos impossibilitados devido à lei eleitoral. Peço para que todos que receberem essa mensagem a repassem para outras instituições e possíveis interessados no assunto, para que nossa rede de distribuição possa se ampliar ainda mais.

Os interessados em receber as cartilhas devem envir mensagem para lucas.iphan@gmail.com fornecendo quantidade desejada e no que serão aplicadas essas cartilhas. Ou ligar para 3311-7722 e falar comigo mesmo, no período da tarde.

--
Lucas Rosa
12ªSR/IPHAN
Estagiário de História
lucas.iphan@gmail.com

8 comentários:

O Negro No Brasil disse...

Levo a minha solidariedade pelo trabalho sati.Acesse o blog,que é http:onegronobrasil1980.blogspot.com.São determinados isto é muito bom. Abraço. waldimiro de Souza

O Negro No Brasil disse...

Artur,
estou encaminhado a entrevista do Milton Santos como estudante da UnB, Brasilia-DF.

fonte da entrevista:

http://www.nossosaopaulo.com.br/Reg_SP/Educacao/MiltonSantos.htm

# - Em entrevista no programa Roda Viva, o senhor afirmou que observamos atualmente uma capitulação dos intelectuais brasileiros diante da situação do país. Como define essa capitulação?

* A capitulação dos intelectuais é um fenômeno internacional já antigo e que se agravou com a globalização. Isso de alguma maneira perdura com a democracia de mercado de hoje. A intelectualidade brasileira se organiza através de grupos fechados que necessitam mais de fazer pressão, para sobreviver, do que de se reunir para pesquisar. Por isso tendem a se aproximar do establishment, o que reduz a sua força de pensamento, imaginação e crítica. Isso equivale a capitular. No Brasil, há exceções, mas essa síndrome precisa de uma cura urgente.

# - Em uma de suas declarações mais contundentes no programa Roda Viva, o senhor afirmou que o pobre é neste momento o único ator social no Brasil com o qual podemos aprender algo de verdadeiro. Poderia explicar?

* Em A natureza do espaço falo um pouco sobre essa idéia. As classes médias são confortáveis de um modo geral. O conforto cria dificuldades na visão do futuro. O conforto quer estender o presente que está simpático. O conforto, como a memória, é inimigo da descoberta. No caso do Brasil isso é mais grave, porque esse conforto veio com a difusão do consumo. O consumo é ele próprio um emoliente, Ele amolece. Os pobres, sobretudo os pobres urbanos, não têm o emprego, mas têm o trabalho, que é o resultado de uma descoberta cotidiana. Esse trabalho raramente é bem pago, enquanto o mundo dos objetos se amplia.

# - O senhor fala da sabedoria da escassez...

* Exatamente. Fui buscar esse conceito em Sartre, quando ele fala da escassez que joga uma pessoa contra a outra na disputa pelo que é limitado. Essa experiência da escassez é que faz a ponte entre a necessidade e o entendimento. Como a escassez sempre vai mudando, devido a aceleração contemporânea, o pobre acaba descobrindo que não vai nunca morar na Ipanema da novela, que jamais vai alcançar aquelas coisas bonitas que vê. Ele continua vendo, mas está seguro hoje de que não as alcançará. Gostaria de dizer que a classe média já começa a conhecer a experiência da escassez. E isso pode ser bom. Como a classe média, na sua formação, tem uma capacidade de codificação maior, isso vai nos levar a uma precipitação do movimento social, da produção da consciência, ainda que seja de uma maneira incompleta.

O Negro No Brasil disse...

Nota do Senador João Durval (PDT-BA) em homenagem ao dia da consciencia negra.
"A figura do baiano Milton Santos lhe vem à mente, quando o assunto é consciencia negra. A data é comemorada hoje porque foi o dia da morte de Zumbi, líder do Quilombo de Palmares, em 1665 e se destaca porque contrapõe-se ao 13 de maio- data da abolição da escravatura - contestada pelas comunidades negras que acabaram marginalizadas pelo ato abolicionista. Milton Santos também é um contraponto ao negro oprimido, pois foi um dos baianos mais importantes da história.
Nascido em Brotas de Macaúba, em 1926, foi um geografo e "livre pesquisador" brasileiro. Considerado um homem afável, fino e discreto, ainda combativo, foi doutor honoris causa em vários paises do mundo. Foi o único brasileiro a ganhar o Nobel, na verdade premio Vautrin Lud. Escreveu cerca de 40 livros e é hojre, talvez, o brasileiro mais homenageado internacionalmente, excluindo-se outro negro: Pelé. Ao morrer, no ano de 2001, depois de ensinar em vários países, exilado que foi pela revolução de 64, Santos era titular da cadeira de Filosofia e Ciencias Humanas da USP.
Eu não poderia deixar de Prestar esta homenagem a um baiano excepcional e, na figura dele, ao povo negro que povoou e fez a historia na Bahia. A qualidade de intelectual do Milton Santos demonstra bem que o negro pode e deve buscar seu espaço na cultura brasileira.

foi transcrito nesse blog como comentário

O Negro No Brasil disse...

Brasil - Comunidades Quilombolas na semana da Consciência Negra
Rogério Almeida**

Adital -
Na Amazônia existem infinitas amazônias, com seus redemoinhos de gentes, igarapés, rios, um mundo em recursos naturais, história de vida, morte, violações e pelejas. Muitas gentes existem na Amazônia, que por ignorância, desconhecimento ou puro preconceito permanecem marginais, sem reconhecimento dos direitos que lhes cabem, filtrados sob a lente do exótico aos olhos dos estrangeiros de cá e de lá. Ou tratados como meros ícones do atraso ante a dinâmica do capital, apenas para gastar palavra em voga.
Na perspectiva de aprofundar o conhecimento na defesa de seus territórios, manifestações culturais e informações neles gerados, cerca de 50 remanescentes de escravos da região guajarina e vizinhança (Acará, Moju, Abaetetuba, Igarapé Mirim,Tailândia, Concórdia, Bujaru, Tomé Açu ) passaram o dia 16 de novembro numa oficina com ênfase sobre direitos das comunidades negras.

A oficina integra o projeto Nova Cartografia Social da Amazônia. A reunião ocorreu no espaço Sagrada Família, cravado no município de Ananindeua, região metropolitana de Belém. O advogado Aton Fon Filho, ligado a Rede Social de Justiça e Direitos Humanos, organização com sede em São Paulo foi o facilitador. A Comissão Pastoral da Terra (CPT) e a UNAMAZ, Associação de Universidades da Amazônia, agência multilateral de cooperação organizaram o evento. A cartilha Quilombolas Direito ao Futuro, serviu de apoio no estudo sobre os aspectos legais que conformam os direitos quilombolas na Constituição, além de estudos sobre os tratados internacionais em que o Brasil é signatário.

No mesmo dia, só que no Palácio dos Despachos do Governo, a governadora Ana Júlia Carepa assinava o termo de adesão ao Fórum Intergovernamental de Promoção da Igualdade Racial, ladeada pela ministra Matilde Ribeiro da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial da Presidência da República e representantes de entidades do movimento negro.

Territórios em disputa - O geógrafo, negro e baiano, Milton Santos ao analisar o totalitarismo do capital em escala planetária revela que a cada dia a sanha do mesmo tende a subjugar territórios e os recursos naturais neles existentes em qualquer canto. No debate sobre os direitos dos quilombolas no Pará a questão foi o centro do debate. Os depoimentos de quilombolas da região de Jambuaçu, que reúne 14 comunidades do município de Moju é a melhor expressão sobre o assunto. As obras de infra-estrutura e grandes projetos despontam como agentes contrários a garantia dos territórios das populações consideradas tradicionais na Amazônia.

No caso particular de Jambuaçu que é um afluente do rio Moju, a refrega com grandes empresas data da década de 1980, com a implantação de grandes empresas, como a Capim Caulim, a Pará Pigmentos e a monocultura do dendê pela empresa Marborges. Nos anos mais recentes a tensão tem se desenvolvido com a Companhia Vale do Rio Doce (CVRD). O centro nervoso reside no mineroduto que transporta bauxita oriunda do município de Paragominas, matéria prima para a produção de alumina, que é usada para a produção de alumínio, e a ampliação da linha de energia.

O mineroduto e o linhão alimentam as fábricas da CVRD no município de Barcarena. No caso do mineroduto a construção ocorreu entre os anos de 2000 a 2004, já o linhão de energia data de 2005. Estima-se em 15 km a área afetada e que 58 famílias perderam terras agricultáveis. A invasão da companhia foi realizada à revelia dos moradores. A matriz dessa modalidade de projeto tem sido a democratização das mazelas sociais e ambientais onde são instalados.

Tensões no quilombo Os quilombolas informaram que por conta da poluição do rio pelas empresas que exploram caulim, houve redução do pescado e a água é imprópria para uso. No caso da CVRD o indicador foi a derrubada de 150 castanheiras produtivas. Os militantes das comunidades negras estimam em 674 famílias afetadas pelos empreendimentos da companhia. O ápice da tensão entre as partes foi registrado em janeiro de 2006 com a derrubada de uma torre de transmissão.

Uma nova questão desponta como tensão no mundo do povo de Jambuaçu. Trata-se da relação entre os quilombolas e pesquisadores. Na reunião do dia 16, alguns representantes tornaram público o descontentamento sobre o resultado do curta-metragem Filhas de Jambuaçu. Militantes da comunidade informaram que deram depoimentos sem a devida informação que as mesmas seriam para a mineradora.

O curta indicado para o concurso internacional sobre etnografia não foi apresentado à comunidade, que só veio a conhecer o resultado após mediação de um militante que acessou uma cópia do mesmo em Belém. Uma moradora da área declarou que todas as informações sobre as tensões entre a companhia e os quilombolas não são tratadas no filme. Os quilombolas informaram ainda que não autorizaram uso de seus depoimentos e imagens para o professor Silvio Figueiredo, autor do curta. A polêmica deve ganhar a justiça, prometem os quilombolas. O curta integra projeto do Museu Paraense Emilio Goeldi de Educação Patrimonial, com apoio financeiro da companhia.

Aparando as arestas e outras tensões - Com mediação do Ministério Público Federal (MPF), vários órgãos estaduais e a CPT, a empresa encontra-se obrigada a garantir manutenção da Casa Família Rural (CFR), produção de estudo através da Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA) sobre as potencialidades produtivas do território quilombola, assistência para o funcionamento do posto de saúde e pagamento de dois salários mínimos por dois anos para as 58 famílias afetadas diretamente pelo linhão e garantia de outras obras de infra-estrutura. .

Outras tensões entre grandes companhias e as comunidades quilombolas ocorrem a oeste do estado, com o projeto de exploração de bauxita da empresa estadunidense ALCOA, no município de Juruti. A voz dissonante no processo de licenciamento tem sido do promotor estadual Raimundo Moraes, que tem lançado luz sobre as omissões nos estudos de impacto ambiental.

Na região do arquipélago do Marajó a situação de tensão ocorre com os fazendeiros que costumam impedir a circulação dos quilombolas através de cercas. Já no quilombo do Cacau, localizado no município de Colares, o impasse gira em torno da empresa Empasa, que explora palmito na região. Os moradores informam que desde 1999 o proprietário da empresa soube do reconhecimento da área como remanescente de quilombo ergueu cercas e contratou capataz.

A titulação das terras é o grande desafio na caminhada de garantia dos direitos das comunidades. Avelino da Conceição Almeida, neto e filho de escravos, morador do Cacau declara que "não largo o lugar por nada. Aqui nasci e cresci, criei meus 17 filhos". É ele que informa a derrubada de pelo menos 450 árvores, entre elas samaúma, marupá atamã pela Empasa.

Quilombos no Pará - Faz 12 anos que a comunidade quilombola de Boa Vista recebeu a titulação do seu território de 1.125 hectares localizado no município de Oriximiná, oeste do Pará, que concentra boa parte das 295 comunidades estimadas no Estado. Foi a primeira comunidade a ser reconhecida no Brasil. Conforme o boletim Terra de Quilombo da Comissão Pró-Índio de São Paulo, datado de outubro de 2007, no Brasil há 79 territórios reconhecidos num total de 929.317,6437 hectares, que aglutina 9 mil famílias.

O Pará desponta em primeiro lugar com 34 titulações, seguido do Maranhão, com 22. 44 processos solicitando reconhecimento dos territórios tramitam no Instituo Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA) do Pará até setembro de 2007. O processo costumar ser demorado por causa de um conjunto de exigências, como o estudo antropológico para verificar a legitimidade da reivindicação. O estado Pará mantém o projeto Raízes direcionado para as comunidades, onde não raro há confrontos entre as demandas da comunidade e os técnicos do governo.

Na avaliação dos participantes da oficina do dia 16, o reconhecimento do território é apenas o primeiro asso no processo de efetivação dos seus direitos. Os quilombolas salientam para a necessidade de ação conjunta em inúmeras frentes para a efetivação dos direitos e a emancipação dos negros (as) no país.

Um dos impasses pontuados é a lentidão do Estado. Conforme dados do Instituto de Estudos Socioeconômicos (INESC), o projeto Brasil Quilombola do governo federal até 13 de junho, havia aplicado apenas 6,39% do orçamento de 2007 para ações em favor dos moradores de comunidades remanescentes de quilombo do total de 202 milhões.


* Mestre em Planejamento do Desenvolvimento Regional e colaborador do Fórum Carajás, do Ecodebate e do Ibase, entre outros. É autor do Ibase, entre outros. É autor do luvro Araguaia - Tocantins: fios de uma História camponesa.

Agência de informação Frei Tito para a America Latina, 2001-2005.

Caixa postal 131- Cep:60.001-970- Fortaleza - Ceará - Brasil

O Negro No Brasil disse...

Ao Excelentíssimo presidente Lula, saudações de muita paz e harmonia no seu governo. Este blog O Negro no Brasil Atual (1980), que tem uma participação de grande maioria dos seus eleitores. Vamos lembrar que a mãe preta que amamentava os filhos dos senhores de escravos, e seus próprios ficavam subnutridos, há de se lembrar que isso é um exemplo de dignidade, humildade e de extrema virtude e de doação do seu próprio leite que representa uma aliança de sangue. Posto isso sugerimos que o seu governo não destrua a imagem da mulher negra, chama o seu ministro da igualdade racial, ministro Edson Santos (SEPIR), para uma reconciliação e entendimento com a CONAQ em vez de uma nota de repúdio seja um exemplo de zumbi, “conviver em harmonia com todos os segmentos da sociedade de amor a vida e vivificá-la”. A demissão de Givânia teve a uma nota de protesto e solidariedade dos quilombolas pela sua representação de confederação, com muita humildade. Esse blog solicita essa gestão administrativa no seu governo, pela vossa experiência de sindicalistas (que é o entendimento). Paz e harmonia.
Waldimiro de Souza
http://onegronobrasil1980.blogspot.com
Nota de Repúdio pela exoneração da companheira Givânia Maria Silva, Subsecretária da SUBCOM/SEPPIR.
Leiam e repassem.
Ats,
Ronaldo dos Santos
Coord. Execut. CONAQ

Rio de Janeiro, 04 de abril de 2008.
NOTA DE REPÚDIO

A CONAQ – Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas vem através desta, externar sua indignação e seu repúdio contra a atitude desrespeitosa do Sr. Ministro da Igualdade Racial, Edson Santos, que anunciou nesta quarta-feira (03/04) a exoneração da Sra. Givânia Maria Silva, Subsecretária da Subsecretaria de Políticas para Comunidades Tradicionais da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (SUBCOM/SEPPIR ), desconsiderando todo diálogo feito com essa Coordenação em audiência realizada no dia 04 de março do corrente ano.
É fundamental apresentarmos um resgate histórico sobre a presença da Sra. Givânia Maria da Silva à frente da SUBCOM/SEPPIR. Givânia representava nessa pasta o espaço institucionalizado de diálogo do movimento quilombola, representado pela CONAQ e pelas várias Coordenações, Associações e Federações Estaduais de Quilombos existentes nas diversas regiões do país.
Para muito além de representar um cargo, a vinda de Givânia Silva a esse posto se deu a partir de um objetivo mais amplo que foi o de fortalecer e consolidar as políticas públicas voltadas às comunidades quilombolas a partir das demandas e do diálogo estreito com os próprios sujeitos dessa política, ou seja, com as comunidades quilombolas. Ressaltamos, ainda, que essa construção dialogou com a importância dada a essa política como pilar central desta Secretaria Especial.
A decisão tomada pelo Sr. Ministro, nessa quarta-feira não respeitou também o calendário eleitoral. Como é de conhecimento público, a companheira Givânia é vereadora de segundo mandato, pelo Partido dos Trabalhadores, do município de Salgueiro - PE. Uma vez tomada a decisão coletiva do movimento de que a vinda de Givânia à Seppir era estratégica para a política de quilombos, esta licenciou-se do cargo que ocupava em seu município.
Nos diálogos estabelecidos com o gabinete do Sr. Ministro, foi apontada a necessidade de que, caso viessem a ocorrer mudanças, as mesmas deveriam ser feitas antes do período de prévias dos partidos, para possibilitar a continuidade dos projetos eleitorais das comunidades quilombolas, que têm no mandato de Givânia uma forte representação das suas causas. De modo irresponsável, a exoneração da companheira deu-se posteriormente ao período de prévias dos partidos, contrariando os acordos estabelecidos e impossibilitando a continuidade do projeto de ocupar cargos eletivos em seu município para o próximo período, estratégia tão fundamental às comunidades quilombolas.
Enquanto sujeitos políticos que somos, entendemos perfeitamente como se dão essas costuras políticas, e a necessidade que um gestor tem de efetuar substituições nos quadros que compõem sua equipe. Isso, contudo, não foge à necessidade de estabelecer um diálogo de construção respeitoso e ético com os sujeitos dessa política, no desenrolar de fatores estratégicos como esse.
Repudiamos então, a atitude do Sr. Ministro que coloca em cheque a relação de confiança estabelecida com nosso movimento, uma vez que sua posição foi de que a companheira Givânia Silva não seria alvo de perseguições políticas e que sua continuidade ou não no cargo seria conseqüência dos resultados concretos de seu trabalho. Um mês depois dos compromissos assumidos, a situação se reverte e é resolvida com uma simples conversa inesperada, sem sequer um contato prévio com o movimento, no sentido de informar e justificar o que haveria de acontecer, mesmo que fosse irreversível. O ponto central desse desenrolar é que a preocupação com a condução e fortalecimento das políticas de quilombos pareceu ser a última presente na decisão tomada pelo Sr. Ministro.
Apresentamos nosso grande temor de que essa situação delicada interfira efetivamente nos resultados da política do Governo Federal voltada às comunidades quilombolas, no âmbito do Programa Brasil Quilombola, considerando que:
O diálogo entre SEPPIR e CONAQ inicia-se com um marco de relação que não preza pelo respeito às partes, nem tão pouco pela construção de diálogo conjunto que vise à construção e efetivação das políticas públicas para as comunidades quilombolas;
Há um risco real de que a interlocução entre este Governo e as comunidades quilombolas se dê por meio de organizações não governamentais do movimento negro urbano e representantes quilombolas ligadas à esses grupos, em detrimento da consolidação do movimento quilombola, situação esta vivenciada ao longo da história da SUBCOM/SEPPIR até o 1º semestre de 2007. Denunciamos ainda que essa postura não respeita as legislações que sustentam essa política, tais como a Convenção 169 da OIT.
Os investimentos da Agenda Social e do Programa Brasil Quilombola (PBQ) correm o risco de serem canalizados para esses mesmos grupos citados acima, com o claro objetivo já conhecido de fortalecê-los política e institucionalmente, não atendendo os objetos da política que é o real desenvolvimento sustentável das comunidades quilombolas e de seu movimento na defesa dos seus direitos.
Finalizando esse documento-denúncia, queremos tornar público o risco que corremos de descaso na condução da política para as comunidades quilombolas, sobretudo no que se refere à implementação efetiva do disposto no artigo 68 da Constituição Federal, do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias, bem como o disposto no Decreto 4887/2003, em relação à efetivação do nosso direito irrevogável à terra.
Diante da difícil conjuntura politica que atravessamos, onde a inoperância do INCRA se perpetua por todo Brasil, o governo propõe uma péssima versão de Instrução Normativa em substituição a de n°. 20 do INCRA, piorando consideravelmente os procedimentos administrativos para a regularização fundiária dos territórios quilombolas; o decreto 4887/07 corre o risco de ter seus efeitos anulados por decisão do STF (Supremo Tribunal Federal) e também da Câmara dos Deputados; e a articulação contrária da Bancada Ruralista, do agronegócio fortalecidas pela fidelidade da grande mídia aos seus projetos políticos, que continua cada vez melhor orquestrada, sustentados pelos projetos de infra-estrutura do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento do Governo Federal), nossa situação torna-se ainda mais delicada.
Queremos dizer com tudo isso que apesar da total insatisfação, a CONAQ, enquanto entidade de representação do movimento quilombola nacional, mantém o diálogo com esse governo, e mais do que isso, não abre mão dessa interlocução, ressaltando que não admitiremos ver mais uma vez nossas comunidades sofrendo um processo de massacre social e político extremo por todo o país, enquanto nossa política e os recursos públicos nelas aplicados servem apenas para financiar “interesses” de grupos políticos cuja prática não traduz nenhum compromisso com a política quilombola.
Atenciosamente,
____________________________________
Ronaldo dos Santos
Coordenador Executivo da CONAQ
Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas – CONAQ
jhonnyquilombola@gmail.com
rscampinho@yahoo.com.br

Artur disse...

P R O J E TO DE R E S O L U Ç Ã O Nº

Concede o Título de Cidadão Benemérito da Liberdade e da Justiça Social João Mangabeira, em homenagem post mortem, ao Professor Milton Santos.


Art.1º - Fica concedido, com fulcro na Res. nº 1222 de 22 de dezembro de 1993, o Título de Cidadão Benemérito da Liberdade e da Justiça João Mangabeira ao ilustre professor baiano Milton Santos, em homenagem post mortem.

Art.2º - Após aprovada esta resolução, a entrega do Título de Cidadão Benemérito da Liberdade e da Justiça João Mangabeira aos familiares do Prof. Milton Santos, deverá ser feita, durante Sessão Especial convocada por esta Assembléia, na forma regimental.

Art.3º - Esta Resolução entra em vigor na data da sua publicação.

Sala das Sessões, 30 de julho de 2001.

Deputada Lídice da Mata – PSB.

J U S T I F I C A T I V A

A presente proposição visa conceder o Título de Cidadão Benemérito da Liberdade e da Justiça João Mangabeira ao ilustre professor baiano Milton Santos, instituído pela Res. nº 1222 de 22/12/1993.
Este título é concedido ao cidadão brasileiro que tenha desenvolvido, pessoalmente ou através de entidade, atividades voltadas para as causas reconhecidamente benéficas à coletividade baiana ou ao povo brasileiro, que resultem no desenvolvimento político, social e econômico do Brasil (art.2º, Res. nº 1222 de 22/12/1993).
Assim foi o professor Milton Santos. Prestou, ao longo de sua vida, inestimáveis serviços voltados ao desenvolvimento integral do povo brasileiro.
Das suas mais de 40 obras literárias e científicas, diversas delas consistiram em estudos profundos de aspectos geográficos, econômicos e sociais do nosso Estado e do nosso país, tornando-se fonte de fundamental importância para as escolas e universidades de todo o mundo.
Merece ser destacada também a atuação do Professor Milton Santos na Comissão de Justiça e Paz, desde de 1991 e sua participação, como consultor, da Organização Internacional do Trabalho (OIT), da Organização dos Estados Americanos (OEA), da UNESCO e do Senado da Venezuela, para questões metropolitanas.
Conceder o Título de Cidadão Benemérito da Liberdade e da Justiça João Mangabeira ao professor baiano Milton Santos é pois, um ato do mais puro reconhecimento à magnitude de seus ensinamentos e a sua postura como cidadão comprometido com as causas da humanidade. Além disso, a homenagem contribuirá para que se dê um registro histórico nesta Casa à sua obra, tornando ainda mais perenes, no povo baiano, os ideais de dignidade, justiça social e democracia propagados pelo ilustre mestre.
No último dia 24 de junho o corpo do geógrafo Milton Santos foi sepultado no Cemitério da Paz, em São Paulo. Neste momento, a cultura brasileira ficou infinitamente mais pobre. Neste dia, em várias partes do mundo, foi feita uma reflexão referente a este idealista e genial defensor do humanismo em toda sua radicaliade.
Enquanto vivo e intelectualmente atuante, o Prof. Milton Santos recebeu cerca de 20 títulos honoris causa, entre eles, o Prêmio Vautrin Lud, equivalente ao Nobel da Geografia. Mas, para muito além dos títulos, o Prof. ele computou, durante sua trajetória, o respeito e admiração de todos que tiveram o prazer de desfrutar da sua brilhante e generosa presença.
Nascido em Brotas de Macaúbas, Bahia, em 3 de maio de 1926, Milton Santos veio ainda criança para Salvador, sendo matriculado como aluno interno, no instituto Baiano de Ensino, dirigido pelo Professor Hugo Baltazar da Silveira. Diplomou-se como Bacharel em Ciências e Letras em 1941. Em seguida, no ano de 1948, concluiu o curso de Direito na Universidade Federal da Bahia. Superando todos os obstáculos que lhe foram impostos, tornou-se um homem de dignidade e sabedoria exponencial para o Brasil.
A vocação deste jovem baiano negro, no entanto, encontrou-se no campo do magistério. Após lecionar no Ginásio Municipal de Ilhéus, ingressou como Professor na Faculdade de Filosofia da Universidade Católica de Salvador, onde definiu seu gosto e sua dedicação pela Geografia
Entre os anos de 1956 e 1964, atuou como redator do jornal A TARDE. Durante a ditadura militar no Brasil, entre 1964 e 1971, Milton Santos foi preso, perseguido e finalmente exilado. No período do exílio, fez doutorado na França e esteve, como professor, em diversas outras importantes universidades do mundo, como as do Canadá, Inglaterra, Estados Unidos, Tanzânia e Venezuela.
De volta ao Brasil, em 1982, passou a lecionar na Faculdade de Ciências Humanas e Letras da USP, onde criou o Laboratório de Geografia e Política e Planejamento Territorial e Ambiental, berço de muitos trabalhos de pesquisa.
Foi Presidente da Associação dos Geógrafos Brasileiros em 1963 e, em 1994, como aqui já destacado, conquistou o Prêmio Internacional da geografia Vautrin Lud, sua láurea científica máxima.
Sem dúvida, foi o maior expoente da Geografia brasileira, com enorme projeção internacional. Sempre polêmico e revolucionário em suas abordagens, o Prof. Milton Santos, além de conseguir ver traduzidos diversos de seus livros em várias línguas, publicou também um grande número de ensaios e artigos para revistas especializadas e mais de 231 colaborações em livros coletivos.
Durante os últimos anos, o saudoso mestre ocupou-se, com grande atualidade e dedicação, ao estudo do fenômeno da globalização e de suas consequências perversas em relação às soberanias nacionais e ao exercício da cidadania. Tendo o ser humano como centro permanente de sua vasta obra, ele ensinou como se pode afastar a armadilha neoliberal da economia mundializada, por meio da formulação de políticas, que integrem sempre o desenvolvimento econômico ao social.
Não há liberdade sem justiça social. Poucos, como Milton Santos, souberam dizer isso de forma tão brilhante e coerente. Nada mais adequado pois, do que lhe conceder o Título de Cidadão Benemérito da Liberdade e da Justiça João Mangabeira.
Sua vida foi pautada por um inarredável compromisso humanitário: a busca de novas alternativas para a construção de um mundo mais justo e digno. Ao mesmo tempo, seu caminho foi sempre guiado pelo sentimento de solidariedade com as lutas do povo brasileiro, em favor de sua inclusão social e da preservação de sua identidade cultural.

Sala das Sessões, 30 de julho de 2001.

Deputada Lídice da Mata PSB.

ANEXO DAS PRINCIPAIS OBRAS DO PROFESSOR MILTON SANTOS:

Povoamento da Bahia: suas causas econômicas (Salvador, 1948).
Os estudos regionais e o futuro da geografia (Salvador, 1953).
Zona do cacau, introdução ao estudo geográfico (Salvador, 1955).
Estudos da geografia da Bahia (Salvador, 1958).
Localização industrial (Salvador, 1958).
A cidade como centro de região (Salvador, 1959).
Marienne em preto e branco- Viagens ( Salvador, 1960).
A rede urbana do recôncavo (Salvador, 1959)
O centro da cidade de Salvador (Salvador, 1959).
A Cidade nos países subdesenvolvidos (Rio, 1965).
Croissance démographique consommation alimentaire dans les pays sous-développés (Paris, 1967).
Aspects de la géographiede l’économie urbaine des pays sous-développés (Paris, 1967).
Dix essais sur les villes des pays-sous-developpés (Paris, 1967).
Le métier du géographe en pays sous-développés (Paris, 1971).
Les villes du Tiers Monde (Paris, 1971).
Geografía y economía urbanas en los países subdesarrolados (Barcelona, 1973).
Underdevelopement and Poverty: a Geographer’s View (Toronto, 1975)
L’Espace partagé (Paris, 1975).
Por uma Geografia Nova( São Paulo, 1978).
O trabalho do geógrafo no terceiro mundo (São Paulo, 1978).
Pobreza Urbana (São Paulo, 1978).
O espaço dividido (Rio, 1978).
Economia espacial: críticas e alternativas (São Paulo, 1978).
The Shared Space: the two circuits of the urban economy and Its Spatial Repercussions (Londres, 1979).
Espaço e Sociedade (Petrópolis, 1980).
A urbanização desigual (Petrópolis, 1980).
Manual da geografia urbana (São Paulo, 1981).
Pensando o espaço do homem (São Paulo, 1982).
Ensaios sobre a urbanização latino-americana (São Paulo, 1982).
Por une géographie nouvelle (Paris, 1985).
Espaço e método(São Paulo, 1985).
Espacio y Método (Barcelona, 1986).
O espaço do cidadão (São Paulo, 1987).
Metamorfoses do espaço habitado (São Paulo, 1988).
Novos rumos da geografia brasileira (São Paulo, 1988).
Por una geografia nueva (Madrid, 1990).
Metrópole corporativa fragmentada: o caso de São Paulo (São Paulo, 1990).
Espace e Méthode (Paris, 1990).
A urbanização brasileira (São Paulo, 1993).
Por uma economia política da cidade (São Paulo, 1994).
Técnica, Espaço, Tempo: globalização e meio técnico científico informacional (São Paulo, 1994).
De la totalidad al lugar (Barcelona, 1996).
Metamorfoses do espaço habitado (São Paulo, 1996).
Fim de século e globalização (São Paulo, 1997).
Pensando o espaço do homem (São Paulo, 1997).
Por uma outra globalização (Rio, 2000).
Território e sociedade (São Paulo, 2000).
Brasil: território e sociedade no início do século 21 (Rio, 2000).

O Negro No Brasil disse...

Seminário

“Milton Santos” – Vida e Obra

Data: 04/05/2010 -

Horário: 14h30

Local: Plenário 10 – Anexo II

CÂMARA DOS DEPUTADOS – DF
http://www.camara.gov.br/internet/ordemdodia/ordemDetalheReuniaoCom.asp?codReuniao=23659

O Negro No Brasil disse...

Segue abaixo convite da UFBA.

"Wellington Oliveira

Milton Santos é homenageado em colóquio na UFBA

Evento marca a passagem dos 10 anos da morte do intelectual

“Cultura Local, Mercado Global”. Este é o tema da terceira edição do colóquio na Universidade Federal da Bahia (UFBA) que lembra o pensamento e registra os 10 anos da morte do único intelectual brasileiro ganhador do “Nobel” da Geografia, o baiano Milton Santos (1926-2001). Várias outras atividades, no Brasil e mesmo no exterior, devem ocorrer a partir de junho, mês de sua morte.

Milton Santos escreveu mais de 40 livros, foi professor da UFBA, da USP e de várias universidades na Europa, América Latina, Estados Unidos, Canadá, na África e mesmo no Japão. O Prêmio Vautrin Lud, considerado o “Nobel” da área, foi-lhe agraciado na França, como distinção feita ao primeiro intelectual do hemisfério sul e do mundo não-anglo-saxão, em 1991.

O ato solene que instalará o colóquio – aberto ao público – acontece no Salão Nobre da Reitoria, a partir das 18h30, do próximo seis de junho, com apresentação do Madrigal da UFBA. Autoridades diversas dos campos da cultura, da universidade, dos governos e da sociedade civil estão sendo convidadas a prestigiar o evento. Servidores técnico-administrativos, estudantes e professores estão sendo mobilizados.

Com apoio do Instituto Anísio Teixeira/Secretaria de Educação do Estado, as mesas-redondas na manhã do dia sete de junho serão transmitidas para todas as regiões da Bahia por videoconferência. O objetivo é envolver professores das redes públicas estadual e municipal com a discussão sobre as contribuições do geógrafo Milton Santos para as ciências e o conhecimento. Haverá ainda GTs (Grupos de Trabalho) na tarde do mesmo dia sete, dessa vez nas instalações da Faculdade de Comunicação da UFBA, em Ondina.

Att.
Wellington Oliveira
Assessoria de Comunicação
Tel.: +55 71 3320-0438 | 8844-3422"

 
Design by Free WordPress Themes | Bloggerized by Lasantha - Premium Blogger Themes | Hot Sonakshi Sinha, Car Price in India