17 novembro 2006

MOSTRA: O NEGRO NO CINEMA

por Lisiane Machado

19 a 21 de novembro de 2006 - Porto Alegre RS

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Estabelecendo um olhar critico para a produção cinematográfica brasileira, a Mostra: O Negro no Cinema, em sua edição de 2006, pretende valorizar as propostas nacionais de cinema temático étnico, destacando seu ídolos, pensadores, diretores, atrizes e atores negros.

Esta edição faz destaque a Zózimo Bulbul, ator e diretor de cinema que tem sua carreira iniciada em meados dos anos 60, com formação no Centro Popular de Cultura – CPC da União Nacional de Estudantes – UNE. Começa a trabalhar como ator no Cinema Novo, tendo atuado em importantes filmes na história do cinema brasileiro, sob a direção de Glauber Rocha, Leon Hirzman, Antunes Filho e outros. Trabalhou em aproximadamente 30 filmes como ator. Atualmente vive no Rio de Janeiro.

Iniciou como diretor em 1974 com o curta metragem em preto e branco Alma no Olho. Produtor e roteirista de 1974 até 2004 de 6 curta metragens e 1 longa, todos com foco específico na valorização da cultura negra no Brasil e na preservação de sua memória.

Sua preocupação como artista sempre foi o registro da vivência do seu povo através de filmes que denunciam as diferenças, a solidão, a discriminação e a desigualdade que o povo negro sempre vivenciou neste país, flagrando as reações de luta e de desafio em imagens alegres, fortes e musicais de acordo com os caminhos que sua origem indica.

Seu longa metragem Abolição é um documento nacional com depoimentos em diversos estados: São Paulo, Bahia (Salvador e Cachoeira), Minas Gerais (Uberaba), Rio Grande do Sul (Porto Alegre), Pernambuco (Recife) e Rio de Janeiro (Rio de Janeiro e Niterói). Sua obra fílmica completa: Pequena África (2002), O Dia Nacional do Samba (2000), Aniceto do Império, Em Dia de Alforria (1981), República Tiradentes (2004/2005) e Alma no Olho (1974) um documento universal.


PROGRAMAÇÃO

19 de novembro – domingo
Teatro Dante Barone – Assembléia Legislativa

10 h - KIRIKU E A FEITICEIRA
Direção: Michel Ocelot, 70 minutos, 2002
Uma história que celebra a coragem, a curiosidade e a astúcia sobre uma comunidade subjugada por uma terrível feiticeira.
Kiriku, um menino que nasceu para lutar e combater o mal, enfrenta o poder de Karabá, a feiticeira maldosa e seus guardiães. Kiriku aprende em sua luta que a origem de tanta maldade é o sofrimento e só a verdade, o amor, a generosidade, a tolerância, aliados à inteligência, são capazes de vencer a dor e as diferenças.
Um desenho animado moderno que fala a linguagem das crianças sem subestimar a inteligência dos adultos.

14h30min - NARCISO RAP
Direção: Jéferson De, 18 min, 2003
Narciso, um garoto negro de periferia, ganha uma lâmpada mágica e pede ao gênio para ser visto branco pelos brancos e negro pelos negros...

15h – FALA TU
Direção : Guilherme Coelho, 74 minutos, 2004
Fala Tu nos mostra o cotidiano de três moradores da Zona Norte carioca que, em comum, têm a paixão pelo rap. Durante nove meses, a equipe testemunhou os sonhos, dramas e transformações vividas pelos personagens. Fazendo-se assim uma crônica de um Rio de Janeiro de hoje. O filme é um olhar sobre estes três personagens cariocas e sobre o que eles têm a nos dizer.

16h30min– CAFUNDÓ
Direção: Paulo Betti e Clóvis Bueno, 102 minutos, 2005
Cafundó é inspirado em um personagem real saído das senzalas do século XIX. Um tropeiro, ex-escravo, deslumbrado com o mundo em transformação e desesperado para viver nele. Este choque leva-o ao fundo do poço. Derrotado, ele se abandona nos braços da inspiração, alucina-se, ilumina-se, é capaz de ver Deus. Uma visão em que se misturam a magia de suas raízes negras com a glória da civilização judaico-cristã. Sua missão é ajudar o próximo. Ele se crê capaz de curar, e acaba curando. O triunfo da loucura da fé. Sua morte, nos anos 40, transforma-o numa das lendas que formou a alma brasileira e, até hoje, nas lojas de produtos religiosos, encontramos sua imagem, O Preto Velho João de Camargo.

18h30min– FILHAS DO VENTO
Direção: Joel Zito Araújo, 85 minutos, 2005
Uma lírica história de redenção amorosa entre irmãs, mães e filhas. Reunindo o maior elenco negro da História do Cinema Brasileiro, o filme aborda temas pertinentes às mulheres de qualquer parte do mundo. Mas, em uma pequena cidade do interior de Minas Gerais, os fantasmas da escravidão e do racismo acentuam os dramas das personagens de forma sutil e poderosa. Em uma impactante peça ficcional de cunho político e social, o diretor Joel Zito Araújo substitui os papéis estereotipados, comumente interpretados por atores negros nas telenovelas brasileiras, por uma rica e multifacetada construção de personagens, mesmo quando habilmente emprega diversos recursos da dramaturgia da telenovela para se comunicar com grandes audiências.

20 de novembro – segunda-feira
Centro Cultural CEEE – Erico Verissimo

18h30min - Seqüência de Filmes de Zózimo Bulbul
ALMA NO OLHO
11 minutos,1974
Considerado por críticos como melhor trabalho de Zózimo. Faz uma reflexão sobre a identidade negra no Brasil através da mímica e linguagem corporal focando a origem africana, a colonização européia e a libertação através da identidade cultural.

ANICETO DO IMPÉRIO EM DIA DE ALFORRIA
12 minutos,1981
Faz parte da obra deste cineasta sempre preocupado com a preservação da memória da cultura preta no país e das suas personalidades. Filma Aniceto do Império em 81. O personagem, desconhecido de muitos, com 72 anos foi líder sindical, fundador da escola de samba Império Serrano e trabalhador do cais do Porto. O que motivou foi pesquisar a origem, do Império Serrano, perpetuar a dignidade do samba e do trabalho de militantes e a solidão deste personagem no final da vida.

PEQUENA ÁFRICA
14 minutos, 2002
É um resgate da história da cidade do Rio de Janeiro através do olhar preto. A valorização de um lugar habitado pelos pretos no Rio de Janeiro como Pedra do Sal, Praça Mauá, Gamboa e Sto. Cristo.
Os casarios, o Cemitério dos Pretos, o Valongo e a Casa da Engorda e o lugar onde chegavam, mas também o nascimento do Samba, a importância da Tia Ciata na Praça XI, a importância do Morro da Providência e a lembrança de um bairro que se chamava Pequena África.
Uma visão moderna e não convencional, valorizando a história e a auto estima dos que construíram e ocuparam esta cidade, com seus costumes, crenças e sua resistência.

SAMBA NO TREM
22 minutos, 1999/2000
É um documento sobre a celebração do Dia Nacional do Samba como o objetivo de preservar a memória de parte da história do samba, que está sendo esquecida pela imprensa e pelo povo brasileiro. Filmado em 1999/2000 sai das prateleiras e é editado em 2005 através do apoio deste projeto e da vontade de amigos, produtores e artistas que acreditam no que Zózimo tem dito e no que ainda tem a dizer.

REPÚBLICA TIRADENTES
36 minutos, 2005
O filme ‘República Tiradentes’ é uma poesia afetiva baseada nas histórias das dançarinas de gafieira, dos atores, dos malandros, das meninas e de toda a boemia que viveu e vive momentos de alegria e glória no Centro da Cidade do Rio de Janeiro. É uma homenagem principalmente à origem das gafieiras. Uma história vivenciada por Zózimo ao longo de sua vida. É uma homenagem que toda a equipe presta a Zózimo, por ter sido filmado no início de sua recuperação. É também uma prova de luta e força do cineasta para a realização de um desejo antigo num momento ainda delicado.

ABOLIÇÃO160 minutos, 1988
Documentário lançado em 1988 com abrangência de filmagens nacionais. Resgate de 100 anos da abolição no país através de um olhar preto. Entrevistas com os personagens importantes para a preservação dessa cultura como Abdias do Nascimento, Lélia Gonzáles, Beatriz do Nascimento, Grande Otelo, Joel Rufino, Dom Elder Câmara em contraposição com D. João de Orleans e Bragança e Gilberto Freire. Um importante documento das idéias destes pensadores, como também de presidiários, mendigos e artistas populares na sua maioria negros.
Questionamento sobre que tipo de abolição houve neste país já que a situação 100 anos depois continuava de muita luta, desigualdade e racismo.

21 de novembro – terça-feira
Estúdio Multimeios – Parque Industrial da Restinga

20h - CAROLINA
Direção: Jéferson De, 15 minutos, 2003
Brasil. Final dos anos 50. Carolina de Jesus escreve seu diário. Dentro de seu barraco ela denuncia a fome, o preconceito e a miséria. Publicada, torna-se um sucesso editorial, sendo editada em 13 línguas. Apesar do reconhecimento imediato e explosivo, a “exótica” mulher negra e ex-favelada falece pobre. Passadas algumas décadas, as palavras de Carolina continuam a ser uma denúncia contra a miséria em que se encontram milhões de pessoas.

A NEGAÇÃO DO BRASIL
Direção: Joel Zito Araújo, 92 minutos, 2000
O documentário é uma viagem na história da telenovela no Brasil e particularmente uma análise do papel nelas atribuído aos atores negros, que sempre representam personagens mais estereotipados e negativos. Baseado em suas memórias e em fortes evidências de pesquisas, o diretor aponta as influências das telenovelas nos processos de identidade étnica dos afro-brasileiros e faz um manifesto pela incorporação positiva do negro nas imagens televisivas do país.

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