01 novembro 2006

PALAVRARIA RECEBE CIDINHA DA SILVA

por Vera Daisy Barcellos

CIDINHA DA SILVA APRESENTA, EM PORTO ALEGRE, O SEU LIVRO "CADA TRIDENTE EM SEU LUGAR E OUTRAS CRÔNICAS"

O escritor Paulo Scott é o convidado para o debate-papo. A sessão de autógrafos e o encontro literário acontecem nesta sexta-feira, 3, às 18h30min na Palavraria, Bairro Bom-Fim

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Cidinha da Silva, historiadora e coordenadora do Instituto Kuanza, de São Paulo, lança nesta sexta-feira, 3, às 18h30min, na Palavraria Livraria-Café, Rua Vasco da Gama, 165 - Bairro Bom Fim, o seu primeiro livro de crônicas “Cada Tridente em seu lugar e outras crônicas”. A publicação mereceu do ganhador do prêmio Prêmio Jabuti, edição 2006/ contos, Marcelino Freire a observação de que “é um volume para ser lido de forma atenta e comovida”.

Cidinha da Silva já está em Porto Alegre, onde participa do "Seminários e Debates" organizado por MARIA MULHER – Organização de Mulheres Negras e GT – História, Cultura e Sociedade em realização, a partir desta quarta-feira, 1, no Salão Duque de Caxias do Everest Porto Alegres, Rua Duque de Caxias 1357, Centro. Convidada do evento, a cronista palestra sobre “Literatura Negra e Racismo”.

O ESCRITOR CONVIDADO - Na noite de autógrafos de sexta-feira,3, Cidinha da Silva compartilha o espaço da Palavraria com um convidado seu, o escritor portoalegrense Paulo Scott. Professor de Direito Econômico na PUC, Scott escreveu “Ainda Orangotangos “(Editora Livros do Mal) e integrou a coletânea Os Cem Menores Contos Brasileiros do Século (Ateliê Editorial). Sob o pseudônimo de Elrodris, publica Histórias curtas para domesticar as paixões dos anjos e atenuar os sofrimentos dos monstros (Editora Sulina). Em 2005, lança pela Objetiva o elogiado romance Voláteis, inaugurando a Coleção Fora dos Eixos, e em 2006, também pela Objetiva, publica o livro de poemas A timidez do monstro.

O LIVRO CRÕNICAS - “Cada Tridente em seu lugar e outras crônicas” foi lançado nacionalmente em Salvador em julho deste ano, durante a II CIAD – Conferência de Intelectuais Africanos e da Diáspora, o livro é dividido em três partes. Na primeira, Cidinha pede licença aos ancestrais e dialoga com a sabedoria dos mais velhos. Na segunda, está presente a relação com as subjetividades (gênero, sexualidade, relações intergeracionais, identidades regionais e globalizadas) e, na terceira, apresenta seus escritos sobre as relações raciais, não apenas entre negros e brancos, mas da perspectiva de mulher negra que é, em textos que apontam para questões como orientação sexual e sexismo. As crônicas foram escritas entre junho de 2005 e junho de 2006, as 30 crônicas publicadas em "Cada tridente..." somam textos inéditos a textos já publicados em veículos como jornal Irohin (do qual Cidinha é colunista), boletins eletrônicos do Instituto Kuanza, revistas Toques d'Angola e Palmares e websites, como Afropress e Viva Favela."Para bem falar de Exu - não seria louca de falar mal - é preciso ser iniciada, saber segredos que como tais não devem ser revelados. Então, caro leitor, sinto-me mais à vontade para mexer com o tridente de Netuno ( patrimônio cultural da humanidade que a mim também pertence) e, mineiramente, deixo quieto o tridente de Exu". (trecho de "Cada Tridente em seu lugar...", crônica que abre o livro).

A AUTORA - Nascida em Belo Horizonte e moradora de São Paulo há 15 anos, Cidinha da Silva, é fundadora do Instituto Kuanza que trabalha com formação, intervenção e pesquisa em educação, raça, gênero e juventude – e organizadora do livro “Ações Afirmativas em Educação: experiências brasileiras”, que está na terceira edição. Com “Cada tridente.em seu lugar e outras crônicas”, a historiadora dá agora vazão à escritora. Cidinha teve sua trajetória marcada por textos de Machado de Assis, Carlos Drummond de Andrade, Adélia Prado, Paulo Mendes Campos, Edimilson de Almeida Pereira, Fernando Sabino, Rubem Braga, Lima Barreto... E, posteriormente, escritoras como Leda Martins, Mirian Alves, Conceição Evaristo, Elisa Lucinda, Audre Lorde (sem tradução no Brasil), Toni Morrison, Bell Hooks, Alice Walker e Paulina Chiziane, autoras negras, como ela.

SERVIÇO
O quê é: Lançamento do livro “Cada Tridente em seu lugar e outras crônicas” – 136 páginas, publicação do Instituto Kuanza, e um debate-papo com o escritor portoalegrense Paulo Scott
Quando: Sexta-feira, 3 de novembro
Horário: 18h30min
Onde: Palavraria Livraria-Café – Rua Vasco da Gama, 165 – Bom Fim – (51) 32.68.42.60 – palavraria@palavraria.com.br
Contato com a escritora: cidinha.tridente@gmail.com

Foto/Divulgação: www.afropress.com

13 comentários:

O Negro No Brasil disse...

Vamos caminhar juanto,acesse este blog que é http://onegronobrasil1980.blogspot.com Waldimiro de Souza

O Negro No Brasil disse...

Vamos caminhar juanto,acesse este blog que é http://onegronobrasil1980.blogspot.com Waldimiro de Souza

O Negro No Brasil disse...

A proposta do blog O Negro no Brasil atual, trata de documento exarado em 1979, num Congresso Afro-brasileiro, que editou a Carta de Uberaba. De pronunciamento político, e que fala de gestão competente, de estratégia, do exercício da inteligência para entender a sabedoria; no dizer do prof. e cientista Milton Santos, que a Carta de Uberaba seria uma provocação aos cientistas, ao corpo docente e discente das Universidades mundiais. E acrescentou que a criação do navio negreiro pelo continente europeu, bem retratado pelo poeta Castro Alves, liga o continente africano e americano na prática política e de gestão administrativa de tráfico maldito, do caráter humano, gestado nas brumas diabóicas do continente europeu. O que a Europa pode contribuir com a dignidade humana?
Professora Cidnha da Silva faz um estudo sombre esses fatos historicos.

O Negro No Brasil disse...

Eliecim Figueiredo
Ruralista – Mansidão – BA


Na história da humanidade, o negro sempre sofreu e sofre com a discriminação. Não existe um indivíduo negro que não relate fatos desta natureza. É intolerável que neste, nosso Brasil, ainda se conviva com estas atitudes.
A população é composta em sua maioria de negros, mulatos e mestiços. Há discriminação em toda parte, nos comentários mais variados e intencionais, tais como: ‘negro parado é suspeito, correndo é bandido’, ‘negro quando não suja na entrada, suja na saída’, e tantos outros ditos maldosos, agressivos e depreciativos da dignidade de qualquer ser.
Para que o negro conquistasse respeito como cidadão, foi necessário instituir lei, com penas duras previstas no código penal. Lei instituída como crime inafiançável. A lei impôs penas severas, para quem não cumprir. Para um assunto que devia ser natural na convivência entre pessoas da mesma espécie, isto é, tratamento igualitário com deveres e oportunidades iguais para todos.


O Negro no mercado de Trabalho
As estatísticas mostram que os negros sempre ocupam cargos subalternos e em cargos mais qualificados, ocupando as mesmas funções, são mal remunerados. Ao alcançar cargos importantes tem que mostrar capacidade e muita competência. Mesmo revelando ser capaz , são questionados por chefiar equipes e liderar pessoas. A vida do negro não é fácil


O Negro na Escola Formal
De passado recente, o governo federal instituiu cotas de acesso aos afrodescendentes nas universidades. Lei (esta) que é questionado por alguns seguimentos da sociedade. Dizem que a lei é paternalista, entretanto, o negro tem dificuldades de toda sorte. Condição financeira para estudar na escola privada de melhor qualidade, ele não possui. Tem que usar a escola pública, com raras exceções sucateadas. Sendo assim, o aluno negro não esta preparado como os demais, portanto, concorre em desigualdade.


O negro não é menos capaz ou menos inteligente. Ofereça oportunidades iguais, mas, iguais mesmo, que mostrará ser sábio em vários seguimentos do conhecimento humano.
Não é choramingar. É relatar fatos que incomodam. Temos necessidades urgentes de acabar de vez com a discriminação em qualquer situação que seja.

PS: Louve-se a oportunidade que é dada por Waldimiro de Souza em seu blog livre. Parabéns Waldimiro.
onegronobrasil1980.blogspot.com

O Negro No Brasil disse...

Sandra Maria da Silva comunidade de Carrapato da Calatinga Bom Despacho-MG
Diretora de Genero da federação quilombola de minas gerais.
A federação começou a ser criada no ano de 2004, novembro, no primeiro encontro das comunidades quilombolas do estado de minas gerais. Nesse primeiro encontro começamos a formar a federação, primeiro formamos uma comissão provisória e dessa comissão começamos a trabalhar, fazer encontros, reuniões, pra ser formada a federação. O estado de minas dentro da região e das regionais, onde agente ficou mais na parte do norte, que é Montes Claros que tem a maior parte das comunidades, agente teve ajuda do centro de documentação Lula Ferreira, da CEPAING, do CONFEA e do professor da UniMontes o Joba. Deu muito trabalho, foi uma luta bem grande, mas agente conseguiu constituir essa federação com a documentação tudo certinho. E com essa trajetória de federação agente trabalhou junto com o governo, fazendo o reconhecimento. Tinha algumas comunidades reconhecidas, mas muitas que nem sabiam do seus direitos. Então agente começou a fazer as viagens nos municípios pra reconhecer essas comunidades em 3 anos, e o trabalho continua, nos já temos reconhecidas 436 comunidades. Nos fizemos o segundo encontro estadual e já tivemos a participação de bastante comunidades. Não estamos ainda no plano ideal, até porque é uma federação nova com apenas 3 anos e as comunidades estão esperando muito da gente, eles querem que a federação resolva todos os problemas da noite para o dia, cobram demais. Agente tenta conscientizar que a coisa não é tão simples assim, tem dificuldades inúmeras, mas agente ta conseguindo. Agente divide a federação por regional, cada diretor é de uma região porque o Estado é muito grande. Tem a região centro-oeste, a central, Paracatu, Jequitinhonha e norte. Cada um cuida da sua área e depois tem um encontro de todos para levarem suas demandas, agente ta querendo montar uma regional em cada... porque é muito trabalho pra uma pessoa só.
As comunidades que ainda não estão na federação, nos vamos lá explicamos tudo falamos que eles são quilombolas, mas muito tem medo de assumir sua identidade e voltarem a ser escravos, os mais antigos não gostam que meche na historia. Agente fica dias na comunidade mostrando que isso não existe mais, que a escravidão acabou, a lei mudou, agora tem proteção e tudo, agente só quer garantir pra vocês que tenham acesso a terra pra vocês plantarem, ter uma vida mais digna, ai que agente vai convencendo eles, mas é difícil. Tem vezes que agente precisa ir lá mais de uma vez, tem gente muito humilde que você chega lá e nem acredita no que ta vendo, eles ficam feliz da gente ta lá, mas ficam com medo de trazer problemas pra eles, aos poucos agente vai conseguindo. Ai agente deixa uma liderança na comunidade e vai fazendo reuniões pra conscientizar o pessoal lá, os mais velhos autorizarem, a comunidade entrar na federação. O mais importante é conscientizar os mais velhos que os mais novos tem respeito por eles.
O nosso contato com a federação nacional, ficou melhor depois que eu entrei nela porque agente ficou mais perto, porque antes era muito difícil. Agora agente conseguiu um computador com internet, telefone, o dialogo ta bem amplo, mesmo com as outras comunidades.

O Negro No Brasil disse...

Ao Excelentíssimo presidente Lula, saudações de muita paz e harmonia no seu governo. Este blog O Negro no Brasil Atual (1980), que tem uma participação de grande maioria dos seus eleitores. Vamos lembrar que a mãe preta que amamentava os filhos dos senhores de escravos, e seus próprios ficavam subnutridos, há de se lembrar que isso é um exemplo de dignidade, humildade e de extrema virtude e de doação do seu próprio leite que representa uma aliança de sangue. Posto isso sugerimos que o seu governo não destrua a imagem da mulher negra, chama o seu ministro da igualdade racial, ministro Edson Santos (SEPIR), para uma reconciliação e entendimento com a CONAQ em vez de uma nota de repúdio seja um exemplo de zumbi, “conviver em harmonia com todos os segmentos da sociedade de amor a vida e vivificá-la”. A demissão de Givânia teve a uma nota de protesto e solidariedade dos quilombolas pela sua representação de confederação, com muita humildade. Esse blog solicita essa gestão administrativa no seu governo, pela vossa experiência de sindicalistas (que é o entendimento). Paz e harmonia.
Waldimiro de Souza
http://onegronobrasil1980.blogspot.com
Nota de Repúdio pela exoneração da companheira Givânia Maria Silva, Subsecretária da SUBCOM/SEPPIR.
Leiam e repassem.
Ats,
Ronaldo dos Santos
Coord. Execut. CONAQ

Rio de Janeiro, 04 de abril de 2008.
NOTA DE REPÚDIO

A CONAQ – Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas vem através desta, externar sua indignação e seu repúdio contra a atitude desrespeitosa do Sr. Ministro da Igualdade Racial, Edson Santos, que anunciou nesta quarta-feira (03/04) a exoneração da Sra. Givânia Maria Silva, Subsecretária da Subsecretaria de Políticas para Comunidades Tradicionais da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (SUBCOM/SEPPIR ), desconsiderando todo diálogo feito com essa Coordenação em audiência realizada no dia 04 de março do corrente ano.
É fundamental apresentarmos um resgate histórico sobre a presença da Sra. Givânia Maria da Silva à frente da SUBCOM/SEPPIR. Givânia representava nessa pasta o espaço institucionalizado de diálogo do movimento quilombola, representado pela CONAQ e pelas várias Coordenações, Associações e Federações Estaduais de Quilombos existentes nas diversas regiões do país.
Para muito além de representar um cargo, a vinda de Givânia Silva a esse posto se deu a partir de um objetivo mais amplo que foi o de fortalecer e consolidar as políticas públicas voltadas às comunidades quilombolas a partir das demandas e do diálogo estreito com os próprios sujeitos dessa política, ou seja, com as comunidades quilombolas. Ressaltamos, ainda, que essa construção dialogou com a importância dada a essa política como pilar central desta Secretaria Especial.
A decisão tomada pelo Sr. Ministro, nessa quarta-feira não respeitou também o calendário eleitoral. Como é de conhecimento público, a companheira Givânia é vereadora de segundo mandato, pelo Partido dos Trabalhadores, do município de Salgueiro - PE. Uma vez tomada a decisão coletiva do movimento de que a vinda de Givânia à Seppir era estratégica para a política de quilombos, esta licenciou-se do cargo que ocupava em seu município.
Nos diálogos estabelecidos com o gabinete do Sr. Ministro, foi apontada a necessidade de que, caso viessem a ocorrer mudanças, as mesmas deveriam ser feitas antes do período de prévias dos partidos, para possibilitar a continuidade dos projetos eleitorais das comunidades quilombolas, que têm no mandato de Givânia uma forte representação das suas causas. De modo irresponsável, a exoneração da companheira deu-se posteriormente ao período de prévias dos partidos, contrariando os acordos estabelecidos e impossibilitando a continuidade do projeto de ocupar cargos eletivos em seu município para o próximo período, estratégia tão fundamental às comunidades quilombolas.
Enquanto sujeitos políticos que somos, entendemos perfeitamente como se dão essas costuras políticas, e a necessidade que um gestor tem de efetuar substituições nos quadros que compõem sua equipe. Isso, contudo, não foge à necessidade de estabelecer um diálogo de construção respeitoso e ético com os sujeitos dessa política, no desenrolar de fatores estratégicos como esse.
Repudiamos então, a atitude do Sr. Ministro que coloca em cheque a relação de confiança estabelecida com nosso movimento, uma vez que sua posição foi de que a companheira Givânia Silva não seria alvo de perseguições políticas e que sua continuidade ou não no cargo seria conseqüência dos resultados concretos de seu trabalho. Um mês depois dos compromissos assumidos, a situação se reverte e é resolvida com uma simples conversa inesperada, sem sequer um contato prévio com o movimento, no sentido de informar e justificar o que haveria de acontecer, mesmo que fosse irreversível. O ponto central desse desenrolar é que a preocupação com a condução e fortalecimento das políticas de quilombos pareceu ser a última presente na decisão tomada pelo Sr. Ministro.
Apresentamos nosso grande temor de que essa situação delicada interfira efetivamente nos resultados da política do Governo Federal voltada às comunidades quilombolas, no âmbito do Programa Brasil Quilombola, considerando que:
O diálogo entre SEPPIR e CONAQ inicia-se com um marco de relação que não preza pelo respeito às partes, nem tão pouco pela construção de diálogo conjunto que vise à construção e efetivação das políticas públicas para as comunidades quilombolas;
Há um risco real de que a interlocução entre este Governo e as comunidades quilombolas se dê por meio de organizações não governamentais do movimento negro urbano e representantes quilombolas ligadas à esses grupos, em detrimento da consolidação do movimento quilombola, situação esta vivenciada ao longo da história da SUBCOM/SEPPIR até o 1º semestre de 2007. Denunciamos ainda que essa postura não respeita as legislações que sustentam essa política, tais como a Convenção 169 da OIT.
Os investimentos da Agenda Social e do Programa Brasil Quilombola (PBQ) correm o risco de serem canalizados para esses mesmos grupos citados acima, com o claro objetivo já conhecido de fortalecê-los política e institucionalmente, não atendendo os objetos da política que é o real desenvolvimento sustentável das comunidades quilombolas e de seu movimento na defesa dos seus direitos.
Finalizando esse documento-denúncia, queremos tornar público o risco que corremos de descaso na condução da política para as comunidades quilombolas, sobretudo no que se refere à implementação efetiva do disposto no artigo 68 da Constituição Federal, do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias, bem como o disposto no Decreto 4887/2003, em relação à efetivação do nosso direito irrevogável à terra.
Diante da difícil conjuntura politica que atravessamos, onde a inoperância do INCRA se perpetua por todo Brasil, o governo propõe uma péssima versão de Instrução Normativa em substituição a de n°. 20 do INCRA, piorando consideravelmente os procedimentos administrativos para a regularização fundiária dos territórios quilombolas; o decreto 4887/07 corre o risco de ter seus efeitos anulados por decisão do STF (Supremo Tribunal Federal) e também da Câmara dos Deputados; e a articulação contrária da Bancada Ruralista, do agronegócio fortalecidas pela fidelidade da grande mídia aos seus projetos políticos, que continua cada vez melhor orquestrada, sustentados pelos projetos de infra-estrutura do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento do Governo Federal), nossa situação torna-se ainda mais delicada.
Queremos dizer com tudo isso que apesar da total insatisfação, a CONAQ, enquanto entidade de representação do movimento quilombola nacional, mantém o diálogo com esse governo, e mais do que isso, não abre mão dessa interlocução, ressaltando que não admitiremos ver mais uma vez nossas comunidades sofrendo um processo de massacre social e político extremo por todo o país, enquanto nossa política e os recursos públicos nelas aplicados servem apenas para financiar “interesses” de grupos políticos cuja prática não traduz nenhum compromisso com a política quilombola.
Atenciosamente,
____________________________________
Ronaldo dos Santos
Coordenador Executivo da CONAQ
Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas – CONAQ
jhonnyquilombola@gmail.com
rscampinho@yahoo.com.br

O Negro No Brasil disse...

A pobreza é um veneno

22 de Abril de 2008 às 14h 00m · Ricardo · Arquivado sob Geral

Paul Krugman

“A pobreza na primeira infância envenena o cérebro”. Esta foi a abertura de um artigo publicado no “Financial Times” do último sábado, sintetizando a pesquisa apresentada na semana passada na Associação Americana para o Avanço da Ciência.

Conforme explicou o artigo, os neurocientistas descobriram que “muitas crianças criadas em famílias muito pobres e com baixo status social apresentam níveis de hormônios relacionados ao estresse prejudiciais à saúde, o que prejudica o desenvolvimento neural”. O efeito disso é um prejuízo para o desenvolvimento da linguagem e para a memória - e, portanto, para a habilidade de escapar da pobreza - pelo resto da vida da criança.

Portanto agora nós temos mais uma razão, ainda mais convincente, para nos envergonharmos do fato de os Estados Unidos terem fracassado na luta contra a pobreza.

Lindon Baines Johnson declarou a sua “Guerra contra a Pobreza” 44 anos atrás. Ao contrário do que diz a lenda cínica, houve de fato uma redução da pobreza nos anos seguintes, especialmente entre as crianças, cujo índice de pobreza caiu de 23% em 1963 para 14% em 1969.

Mas a seguir o progresso empacou: os políticos norte-americanos inclinaram-se para a direita, a atenção deslocou-se do sofrimento dos pobres para os supostos abusos cometidos pelas rainhas do welfare (programa de bem-estar social) que dirigiam Cadillacs. Assim, a luta contra a pobreza foi em grande parte abandonada.

Em 2006, 17,4% das crianças dos Estados Unidos viviam abaixo da linha da pobreza, um número substancialmente mais elevado que o de 1969. E até mesmo esta estatística provavelmente não reflete a verdadeira intensidade da miséria de muitas crianças.

Viver em estado de pobreza, ou próximo a ele, sempre foi uma forma de exílio, uma maneira de ser amputado da parcela maior da sociedade. Mas a distância entre os pobres e o resto de nós é muito maior do que há 40 anos, porque a renda da maioria dos norte-americanos subiu em termos reais, enquanto a linha de pobreza oficial permaneceu estacionária. Ser pobre nos Estados Unidos de hoje, mais ainda do que no passado, significa ser um pária no seu próprio país. E é isso que, segundo nos dizem os neurocientistas, envenena o cérebro infantil.

O fracasso norte-americano no que se refere a progressos na redução da pobreza, especialmente entre as crianças, deveria provocar bastante auto-análise. Infelizmente, em vez disso este fato muitas vezes parece provocar uma grande criatividade quando se trata de apresentar desculpas.

Algumas dessas desculpas assumem a forma de afirmações de que os pobres norte-americanos não são de fato pobres - uma alegação que sempre me faz indagar se aqueles que a fazem assistiram a televisão durante o furacão Katrina, ou se sequer olharam à sua volta quando visitavam uma grande cidade norte-americana.

Porém, as desculpas relativas à pobreza envolvem principalmente a afirmação de que os Estados Unidos são uma terra de oportunidade, um lugar no qual as pessoas podem começar pobres, trabalhar duro e tornarem-se ricas.

Mas o fato é que histórias do estilo Horatio Alger são raras, enquanto aquelas de pessoas aprisionadas pela pobreza dos pais são bastante comuns. Segundo uma recente estimativa, filhos norte-americanos de pais que se encontram na parcela da população correspondente aos 25% mais pobres têm uma probabilidade de quase 50% de permanecer nesta faixa. Caso sejam negros esta probabilidade é de 67%.

Isso não é motivo de surpresa. Ser criado na pobreza faz com que o indivíduo fique em desvantagem em todas as etapas.

Eu cotejei estes novos estudos sobre o desenvolvimento do cérebro na primeira infância com um outro feito pelo Centro Nacional de Estatísticas de Educação, que acompanhou um grupo de estudantes que estavam na oitava série em 1988. De forma geral, o estudo revelou que nos Estados Unidos de hoje a classe social dos pais sobrepuja a capacidade dos filhos: os alunos que saíram-se bem em um teste padronizado, mas que vieram de famílias de baixa renda, apresentaram uma probabilidade ligeiramente menor de terminar a universidade do que aqueles que tiveram um fraco desempenho no teste, mas que eram filhos de pais ricos.

Nada disso é inevitável.

Os índices de pobreza são bem mais baixos na maior parte dos países europeus do que nos Estados Unidos, principalmente devido aos programas governamentais que ajudam os pobres e os desafortunados.

E os governos que mostram disposição podem reduzir a pobreza. No Reino Unido, o governo trabalhista que assumiu o poder em 1997 fez da redução da pobreza uma prioridade - e apesar de algumas derrotas, o seu programa de subsídios de renda e de outros auxílios apresentou grandes resultados. A pobreza infantil, em particular, foi reduzida pela metade, segundo as estatísticas que mais correspondem à definição norte-americana.

No momento é difícil imaginar algo comparável acontecendo neste país. Vale reconhecer o mérito tanto de Hillary Clinton quanto de Barack Obama por estarem propondo novas iniciativas contra a pobreza - e também o mérito de John Edwards, que os incitou a fazer isso. Mas as propostas dos dois são modestas em magnitude e estão longe de se constituírem no cerne de suas campanhas.

Não os estou culpando por isso. Caso um progressista vença esta eleição, isso terá ocorrido porque o candidato aliviou a ansiedade da classe média, e não porque ajudou os pobres. E, por diversas razões, o sistema de saúde, e não a pobreza, deve ser a primeira prioridade de um governo democrata.

Mas torçamos para que no fim das contas a nação retorne à tarefa que abandonou: a de acabar com a pobreza que ainda envenena a vida de tantos norte-americanos.

Tradução: UOL

The New York Times
http://www.nytimes.com/

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1 Comentário »

1.
Waldimiro de Souza disse,

22 de Abril de 2008 @ 15h 44m

Aqui no Brasil, temos uma nova proposta política para todo o continente americano, um gênio chamado Milton Santos, participa do Congresso “A Carta de Uberaba” e logo após no “Encontro de Ribeirão Preto” formula em nome de todos uma proposta que abala os alicerces da consciência e da inteligência em busca da sabedoria solvendo os grilhões da dignidade da vida, reconduzindo tanto o pobre como os sofredores sociais, por um desafio profícuo ao limiar da vitória.

wellyane disse...

À Comissão de Educação e Cultura da Câmara dos Deputados
Câmara dos Deputados, Anexo II Pavilhão superior ala C sala 170.
70.160-900 – Brasília – DF.



Este é para felicitar esta Comissão de Educação pela realização do seminário “Análise da obra do geógrafo, professor e cientista Milton Santos” e salientar a participação do Conselho de Defesa dos Direitos do Negro do Distrito Federal – CDDN/DF.
2. O CDDN/DF, felicita ainda, exemplar iniciativa em debater tema de importante significado e contributo à educação deixado pelo saudoso Professor.
3. Por esse viés sugerimos sejam convidados a participar no Seminário acima citado, SEPPIR/PR, Fundação Cultural Palmares/MinC, UnB e corpo diplomático.
4. Desta forma, solicitamos que seja enviado a este Conselho a programação do evento.
À oportunidade, acolha nossos efusivos votos de estima e distinta consideração.



Atenciosamente,

Júlio Romário da Silva
Presidente do CDDN-DF

Parabenizamos -os pelo trabalho desenvolvido.

Waldimiro de Souza disse...

Na gestão de 1986 a 1988 do Ministro da Cultura Celso Furtado, aconteceu uma audiência com o Secretário de Cultura Gilberto Gil do prefeito Mario Mello Kertész e os fundadores do conselho do memorial Zumbi; Carlos Moura, Jornalista Justo do RJ e Waldimiro de Souza. Com objetivo de um projeto de reconstrução do pelourinho, da sua historia e apoio a população negra e pobre que habitavam em residências sem condições básicas. Naquele momento havia um clamor da população negra brasileira. Para surpresa de todos, o esforço para conquistar as verbas locadas para prefeitura de salvador na época viram pó. Alguém embolsou todo esse esforço coletivo da nação brasileiro e exterior. Ficaram evidente as palavras do ministro da cultura Celso Furtado, que o negro não tinha representação política, para fazer valer e cumprir um empreendimento dessa magnitude.
Chegou a hora de modificar a estrutura dos partidos políticos que tem como base o conceito racistoide. O poder judiciário no processo da juridicidade há de gerir o estado republicano o poder civil pela democracia plena. 82% da população da Bahia são de negros e os mesmo não se elegem para o executivo e legislativo e quase não há negros no poder judiciário.
OnegronoBrasil1980.blogspot.com está solidário ao Doutor Fernando Conceição, jornalista, professor da UFBA, biografo da obra de Milton Santos e organizador do projeto grupo de pesquisa permanecer Milton Santos que foi intimado pela Justiça da 10ª zona Eleitoral da Bahia, conforme e-mail que recebemos do mesmo;
“Meu advogado ( tel.71.8739-5607) tem até o meio dia desta quarta-feira, dia 5, para apresentar nossa defesa. Ou, conforme despacho da juíza Maria Fátima Monteiro Vilas Boas, poderei pagar multa diária de R$ 5.000,00. É assim que "Salvador tem jeito"."

Parabenizamos pelas suas publicações do Jornal da Tarde da Bahia e pelo seu grande site www.fernandoconceicao.com.
Conforme o clamor do poeta Castro Alves “A Deus e aos céus” compreendemos que o homem não alcança a capacidade e compreensão do poeta.

Unknown disse...

Daniel Carneiro - Engenheiro Florestal11 de junho de 2013 19:34
Aos Municípios, Estados, e União, disponho-lhes um novo arvorecer no cuidado do uso da terra, fomentando a inovação tecnológica relacionada ao manejo florestal, agricultura e cidadania. Por meio de uma tecnologia conhecida por sistemas agroflorestais biodiversos torna-se mais que possível o reflorestamento e a produção agrícola e florestal tendo em vista a ligação do meio acadêmico ao empreendedorismo privado e Estatal fortalecendo a base sustentadora de todas as sociedades, a agricultura. Com essa podemos fortalecer a agricultura familiar, unir o reflorestamento não somente dos biomas mais esquecidos: Cerrado e Caatinga, mas de todos os biomas nacionais, trazendo uma nova consciência sobre a política de sustentabilidade ecológica, "o espaço dentro do espaço no território", como diz o geógrafo e Dr Milton Santos. E ele ainda acrescenta "...tendo em vista a busca pela política da sustentabilidade ecológica no continente", sem uma atitude isolada de um Governo mas sim de toda a humanidade. Eu Daniel Carneiro Eng Florestal estou de acordo com o projeto da obra do Dr Milton Santos, por trazer acima de tudo e em primeiro ligar o amor a si mesmo e consequentemente com o planeta. Me ponho a disposição para que os senhores possam conhecer esta iniciativa dessa escola da qual se localiza em Brasília-DF, Núcleo Rural Lago Oeste, Rua 23, Sítio Semente e Sítio Floresta. Somos uma das estações experimentais do IPOEMA (instituto de permacultura: organizações, ecovilas e meio ambiente).

Unknown disse...

http://onegronobrasil1980.blogspot.com.br/ está solidário com a professora Osmarina Barbosa de Oliveira. Enquanto as autoridades municipais, estaduais e federais apoia os grileiros, a população rural de maioria negra não tem o respeito a cidadania politica pelo voto que elegeu a todos. Não ha sensibilidade dos cargos, enquanto o governo federal faz propaganda da "orgia do comportamento humano", esquece da educação, dos direitos humanos, haja vita, o alastramento das drogas no pais inteiro sem o controle do estado. Tende paz, muita paz. Só o amor a virtude e a bondade de cada homem e cada mulher é capaz de contribuir para fazer desse país um grande país, como dizia Milton Santos de amor a vida e vivifica-la.

"SR PREFEITO NEY BORGES MANSIDÃO/BA
GRUPO ESCOLAR NOSSA SENHORA DA CONCEIÇÃO-BURITIZINHO
Eu Diretora interina Osmarina Barbosa de Oliveira,juntamente com os demais pessoal da secretaria escolar.Viemos pedir para o senhor que comunica-se a secretaria de Educação que estamos com falta de um transporte escolar e falta de material de limpeza,merenda escolar e outros,tentamos ligar para secretaria de Educação daqui do Buritizinho e não conseguimos,como aqui já temos internet resolvemos lhe mandar essa mensagem daqui do Buritizinho.estaremos no aguardo.

AGRADECEMOS A COMPREENSÃO DA VOSSA EXCELÊNCIA." (Osmarina Barbosa de Oliveira)

Waldimiro de Souza disse...

A Bahia cantada em verso e prosa pelos cantores e compositores e a poesia da voz da Africa de Castro Alves, prêmio nobel de geografia Milton Santos, Ruy Barbosa, João Mangabeira, Anisio Teixeira e uma centena de contribuição da inteligencia brasileira, todos baianos. Agora, hoje são manchados por uma atitude de um governador insensível que externa pratica racistoide ate facistoide, desassociado da baianidade, o Governador Jacques Wagner, incentivando a pratica da política de grileiros no oeste baiano, contra a população ribeirinha, negra e pobre. Provocando a degradação das terras nos brejos, nas veredas, nas nascentes, nos afluentes e sub afluentes do velho chico. Governador que envergonha a Bahia.

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Waldimiro de Souza disse...

A Bahia cantada em verso e prosa pelos cantores e compositores e a poesia da voz da Africa de Castro Alves, prêmio nobel de geografia Milton Santos, Ruy Barbosa, João Mangabeira, Anisio Teixeira e uma centena de contribuição da inteligencia brasileira, todos baianos. Agora, hoje são manchados por uma atitude de um governador insensível que externa pratica racistoide ate facistoide, desassociado da baianidade, o Governador Jacques Wagner, incentivando a pratica da política de grileiros no oeste baiano, contra a população ribeirinha, negra e pobre. Provocando a degradação das terras nos brejos, nas veredas, nas nascentes, nos afluentes e sub afluentes do velho chico. Governador que envergonha a Bahia.

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