13 novembro 2006

VI SEMANA DA CONSCIÊNCIA NEGRA DE CAXIAS DO SUL

6ª SEMANA DA CONSCIÊNCIA NEGRA INICIA NESTA TERÇA

da Assessoria de Imprensa da Prefeitura de Caxias do Sul

A Prefeitura de Caxias do Sul, por meio da Assessoria de Promoção e Igualdade Racial e do Conselho Municipal da Comunidade Negra (Comune), realiza a 6ª edição da Semana da Consciência Negra. A abertura oficial da programação ocorre às 20h na Casa da Cultura com o espetáculo de Artes Populares do programa “O Bairro Faz” da Secretaria da Cultura. A entrada é franca.

Confira a programação completa da Semana:

14/11- Terça-feira
*Tribuna Livre, com o médico hematologista Dr. João Ricardo Friderich, sobre “ Anemia Falciforme”.
Horário: 17h
Local: Plenário da Câmara de Vereadores

* Palestra: “O Massacre dos Lanceiros Negros em Porongos”, promovida pela UNEGRO, com o professor Raul Carrion.
Horário: 19h30min
Local: Anfiteatro da Câmara de Vereadores

*Abertura Oficial da IV Semana da Consciência Negra
Espetáculo de Artes Populares do Programa “O Bairro Faz” / Departamento de Arte e Cultura Popular-SMC
Horário: 20h
Local: Teatro Municipal Pedro Parenti/Casa de Cultura
Entrada Franca

*Abertura da exposição “Cultura Religiosa Afro-Brasileira”, da Associação de Umbanda Caxias
Local: Salão de Artes do Centro Municipal de Cultura
Período: 14 a 22 de novembro
Todas as noites haverá apresentações com toques e curimbas de umbanda e rezas de nação.

15/11-Quarta-feira
* IX Congresso Gaúcho de Umbanda
Palestrantes: Saul de Medeiros Presidente da Associação de Umbanda Caxias; Antônio de Bará Representante da AFROCONESUL; Rubens Larangio Pinto - Associação de Umbanda Caxias; e Anderson Bastos de Melo Presidente da Associação de Quimbanda Caxias.
Horário:14h
Local: Plenário da Câmara de Vereadores
Obs: Haverá exposições, apresentações, toque de tambores alusivos ao “ Dia da Umbanda” , promovidos pela Associação de Umbanda Caxias

*Lançamento do Livro Entidades: Umbanda, Quimbanda e Povo Cigano, do autor Zeno César da Silva
Horário:20h
Local: Anfiteatro da Câmara de Vereadores

* Debate sobre Políticas para a Comunidade Negra em Caxias do Sul, promovido pelo grupo de capoeira Conquistador da Liberdade e Sindisaúde
Horário: 14h
Local: Centro Comunitário 1º de Maio

* Exibição do filme “Jardineiro Fiel
Horário: 19h
Local: Sala de Cinema Ulysses Geremia
Entrada franca

16/11-Quinta-feira
* Missa Afro de Ação de Graças e apresentação do Coral do bairro Beltrão de Queiróz.
Horário: 17h30min
Local: Clube Gaúcho

*Palestra sobre os Fundamentos e Toques da Capoeira Angola, e, após, aula prática, promovidas pelo Grupo Grilhões da Liberdade.
Mestre: Gean Cleber (Churrasquinho), Porto-Alegre.
Horário: 18h
Local: Clube Recreio Guarany

*Sessão Solene da Semana da Consciência Negra e Outorga da Comenda “Medalha Zumbi dos Palmares”.
Horário: 19h30min
Local: Plenário da Câmara de Vereadores

* Abertura da exposição artística “Os Orixás” de Gisele Cardoso da Silva e Leni Lima - Técnica mista sobre tela.
Horário: 20h30min
Local: Saguão do Centro Municipal de Cultura Dr. Henrique Ordovás Filho
Período: 16 a 26 de novembro
Financiamento: Fundoprocultura

17/11-Sexta-feira
* Palestra sobre os Fundamentos e Toques da Capoeira Regional, após, aula prática, promovidos pelo Grupo Grilhões da Liberdade.
Mestre: Vitor Hugo (Gavião), Porto Alegre.
Horário: 18h
Local: Clube Recreio Guarany

* Exibição do filme “Crash, No limite
Horário: 19h
Local: Sala de Cinema Ulysses Geremia
Entrada franca

* Baile Municipal da Liga Carnavalesca, com o lançamento de CD e apresentação das candidatas a Rainha do Carnaval/2007.
Horário: 23h
Local: Quadra da Escola de Samba XV de Novembro (rua Bento Gonçalves, 3333)

18/11-Sábado
* Brincapoeira:
Oficina de Capoeira, ministrada por profissionais de diferentes grupos de Capoeira, envolvendo 300 alunos de escolas municipais de Caxias do Sul, promovida pelo Grupo Liberdade.
Horário: 9h
Local: Sest/ Senat

* Debate promovido pelo Grupo Grilhões da Liberdade, com os mestres que ministraram as oficinas de capoeira e discussão sobre a importância de cada uma da modalidades.
Horário: 14h
Local: Recreio Clube Guarany

* Oficinas e palestras sobre Hip Hop e Danças Brasileiras, com a professora de dança Kátia Salib e a família Hip Hop. Departamento de Arte e Cultura Popular/SMC.
Horário: 15h
Local: Centro de Cultura Dr. Henrique Ordovás Filho
Entrada Franca

* Encerramento das atividades do Grupo Grilhões da Liberdade com entrega dos certificados de participação.
Horário: 16h
Local: Recreio Guarany

* 1º Concurso da Beleza Afro-descendente feminino e masculino, com inscrições no Clube Gaúcho.
Horário: 22h30min
Local: Clube Gaúcho
Informações pelo telefone 84055617 com Juliana.

19/11-Domingo
* Batizado de Capoeira, do Grupo Conquistador da Liberdade
Horário: 14h
Local: Ginásio La Salle

* Campeonato de Futebol Masculino.
Horário: 10h
Local: Estádio Municipal
Informações na Assessoria de Promoção e Igualdade Racial ou pelo telefone 4009.6289

* Torneio de Voleibol Feminino
Horário: 10h
Local: Enxutão
Informações na Assessoria de Promoção e Igualdade Racial ou pelo telefone 4009.6289

20/11-Segunda-feira
*Palestras em escolas sobre a “História do Negro e sua Valorização”, nos turnos da manhã, tarde ou noite.
Informações na Assessoria de Promoção e Igualdade Racial ou pelo telefone 4009.6289.

21/11-Terça-feira
* Festival do Projeto “ A Cor da Cultura”, com apresentações das escolas municipais, exposição dos trabalhos realizados e apresentação do Coro Infanto- Juvenil.
Horário: 8h às 12h
Local: Sest/ Senat

*Palestra “A História do Trabalho e dos Trabalhadores Negros no Brasil”, promovida pela UNEGRO, com o professor Saulo Velasco.
Horário: 19h30min
Local: Auditório do Bloco 58 da UCS

24/11 a 26/11-Sexta feira a Domingo
*Oficina de Percussão Popular Brasileira “BATUQUIÁ”, promovida pelo grupo de capoeira Liberdade. Vagas limitadas. Informações pelo telefone 9918.8885, com Paulo.
Horário: 19h às 22h/Sexta-feira e 9h às 12h e 14h30min às 17h30min/ Sábado e Domingo
Local: Centro de Cultura Dr. Henrique Ordovás Filho
Financiamento: Fundoprocultura

25/11-Sábado
* Apresentações artísticas e manifestação da música negra: Grupos Afros, pagode, bateria show (carnaval), carna-tchê , hip-hop e grupo de dança OMÓ.
Horário: 14h
Local: Parque Getúlio Vargas (Parque dos Macaquinhos)

* Neste dia haverá apresentação da representante caxiense no Concurso “A Mais Bela Negra do Estado do Rio Grande do Sul”.

**Observação: De 14 a 17 de novembro, as escolas públicas poderão agendar dias e horários para assistir aos filmes mencionados.
Agendamento com Cleudes, da Secretaria Municipal da Cultura, pelo fone 3228.1013, Ramal 205.

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"OS ORIXÁS" EM ESPOSIÇÃO NO ORDOVÁS

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A Prefeitura de Caxias do Sul, por meio da Secretaria Municipal de Cultura/ Centro Municipal de Cultura Dr. Henrique Ordovás Filho, informa sobre exposição Os Orixás de Gisela Cardoso da Silva e Leoni Lima - Arcanum Artis, que integra a programação da VI Semana da Consciência Negra.

Local: Saguão de Exposições do Centro Municipal de Cultura
Exposição Os Orixás de Gisela Cardoso da Silva e Leoni Lima - Arcanum Artis

Técnica mista sobre tela
Abertura: 16 de novembro, 20h
Visitação: 17 a 26 de novembro
Projeto financiado pelo Fundoprocultura: Pé na África

O projeto tem como objetivo contribuir para o reconhecimento da importância da cultura negra nos âmbitos social, cultural, artístico e religioso da nossa região, entendendo-a como integrante no desenvolvimento da nossa cultura.

Visando tornar conhecidos alguns elementos da mitologia afro-brasileira e demonstrar
que vai para além do aspecto religioso, resultando de pesquisas, representa nas artes plásticas os orixás africanos mais populares no Brasil: Exu, Ogum, Nanã, Xangô, Iansã, Obá, Oxum, Iemanjá, Ossaim, Oxalá, Obaluê, Oxumaré, Otim e Oxóssi.

INFORMAÇÕES:
Assessoria de Igualdade Racial
da Prefeitura Municipal de Caxias do Sul
Assessor: José Moreira da Rosa
Telefone: (54) 3218 6019 - Ramal 6289

Centro de Cultura Dr. Henrique Ordovás Filho
Funcionamento: segunda a sexta, das 9h às 22h
sábados, domingos e feriados, das 15h às 22h
Visitas Agendadas:fone (54) 228 1170 ramal 208 c/ Fernanda
Rua Luiz Antunes, 312 - Bairro Panazollo

www.caxias.rs.gov.br

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PREFEITO EM EXERCÍCIO DE CAXIAS DO SUL
RECEBE MISS BELEZA NEGRA SIMPATIA RS

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Alceu Barbosa Velho, Valéria Martins, Antônio Feldmann e José Moreira da Rosa

O Prefeito em exercício Alceu Barbosa Velho recebeu na manhã desta quinta-feira (09), a Miss Beleza Negra Simpatia do Rio Grande do Sul. Valéria Martins foi a representante de Caxias do Sul no concurso.

No encontro, estavam presentes também o Secretário da Cultura, Antônio Feldmann, o Secretário Geral, José Carlos Vanin e o titular da Assessoria de Igualdade Racial da prefeitura, José Moreira da Rosa.

A Miss Beleza Negra e a primeira princesa são de Santa Maria. A segunda princesa eleita é natural de Bagé.

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3 comentários:

O Negro No Brasil disse...

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O Negro No Brasil disse...

3 de Agosto de 2007 às 18h 22m · Ricardo · Arquivado sob Geral

Entrevista com Petrônio José Domingues

O protesto negro no Brasil pós-abolicionista durou três fases, que se estenderam de 1889 a 2000. Essa é a constatação do professor da Universidade Federal do Sergipe, Petrônio José Domingues, que participou da 24ª edição do Simpósio Nacional de História, na Unisinos. Na manhã desta quinta-feira, 19-7-2007, Domingues apresentou o minicurso O negro no pós-abolição: organização e luta.

No decorrer dessas três fases, explica o pesquisador, o movimento negro passou por mudanças significativas. Na primeira fase do protesto negro no País, ocorrida entre 1889 a 1937, o movimento tinha um caráter mais nacionalista, que persistiu na segunda fase, entre 1945 e 1964. Somente a partir de 1978, quando inicia a terceira fase, o movimento abraçou o projeto internacionalista, considerando o preconceito um problema internacional, e relacionando-o com os problemas ocorridos nos Estados Unidos e na África.

De acordo com o professor, o negro brasileiro era distante de alguns símbolos da sua cultura. Essa posição mudou a partir de 1945, mas, mesmo assim, a postura dos movimentos era ora favorável, ora contrária a sua cultura. “Embora alguns negros tivessem contato com seus objetos culturais, eles não faziam defesa pública”. Segundo Domingues, uma mudança radical a esse respeito só correu no final da década de 1970. A partir deste momento, eles “passaram a defender a cultura negra veementemente”.

As mudanças do protesto negro ocorreram também em relação as alternativas pensadas para acabar com o preconceito. Antes da década de 1980, o movimento considerava que as soluções poderiam ser possíveis através da educação e da cultura. No entanto, atualmente, essa posição mudou. As soluções, segundo os estudos do professor, se darão pela via política, com o negro no poder, e numa sociedade socialista. “Só o socialismo irá acabar com todos os tipos de opressões no País”, destacou o pesquisador.

A IHU On-Line esteve presente no minicurso e conversou com o professor Petrônio José Domingues.

Confira a entrevista.

IHU On-Line – Qual é a importância dos movimentos negros para a comunidade negra?

Petrônio José Domingues – Os movimentos negros e ONGs que trabalham com a questão racial contribuem, em primeiro lugar, para a construção de uma identidade negra no Páis, para a elevação da auto-estima e do orgulho negro; em segundo lugar, contribuem pela luta dos direitos e da cidadania do negro; e, em terceiro lugar, alertam a população brasileira para o fato de que existe o problema do racismo.

IHU On-Line – Quais as principais reivindicações dos grupos negros, hoje?

Petrônio José Domingues – Hoje, o eixo dos movimentos negros luta para defender políticas de ações afirmativas. Essas políticas não se reduzem a um programa de cotas. Elas devem ser mais amplas, promovendo a igualdade no emprego e incentivando a formação educacional.

IHU On-Line – A escola é um meio para mudar a visão histórica do negro no Brasil?

Petrônio José Domingues – A história cumpre um papel estratégico na luta da população negra no País. Cumpre um papel estratégico porque a escola é um local em que se dá a formação cultural do indivíduo, é um local de sociabilidade e de exercício da cidadania. Então, é nela que se pode trabalhar conteúdos que prezem por respeitar a diversidade racial e o multiculturalismo. Isso passa por valorizar a história dos vários grupos étnicos que contribuíram para a formação do País, pois é na escola que se dá a diversidade racial.

Ao pensar em escola, temos que pensar também na figura do professor, na grade curricular e nos livros didáticos. A figura do professor é fundamental. Se ele tem uma prática pedagógica que passa a respeitar a diversidade racial, numa sala de aula, os alunos terão um aprendizado de como conviver com o outro. Então, de fato, o professor é o condutor desse processo.

É importante lembrar que a grade curricular e os livros didáticos são preponderantemente eurocêntricos, pois são pensados à luz da cultura ocidental e, particularmente, européia. Há pouco tempo, a grade curricular está sendo apresentada, também, a partir do ensino da história da África e da cultura afro-brasileira. Mas essas mudanças ainda não se concretizaram em âmbito nacional.

Lembro que na escola os alunos têm contato com conteúdos através do livro didático, e esse material ainda apresenta uma visão estereotipada do negro. Então, para haver essa mudança em âmbito escolar, precisa ser produzido um material didático pautado no respeito à diversidade racial.

IHU On-Line – Por que demorou tanto tempo para se inserir a história do negro na escola?

Petrônio José Domingues – Essa demora deu-se, em primeiro lugar, porque a sociedade brasileira foi formada a partir da concepção de que no Brasil não havia problema racial. Esse é um dos mitos fundadores do Brasil: o da democracia racial. A idéia que se tem no Brasil é a de que o único problema existente é a pobreza. Esse mito fundador da sociedade foi bastante eficaz e impediu que as pessoas reconhecessem a existência do racismo. Então, ele impediu que, por diversos anos, a sociedade não se sensibilizasse com essa questão. Eu entendo que tal quadro começou a se alterar a partir da década de 1990. Aos poucos, a sociedade brasileira está se conscientizando de que o problema não é só social, mas também racial.

IHU On-Line – O que o senhor pensa sobre as cotas para negros nas universidades? Elas podem gerar mais preconceito?

Petrônio José Domingues – Eu, particularmente, sou favorável aos programas de cotas. Nós temos que partir do princípio que o negro não se encontra em pé de igualdade no ensino superior ao que não é negro. Na verdade, não só no ensino superior, mas em toda a sua etapa do processo educacional. Então, não há igualdade de oportunidades na educação brasileira. Como reverter isso? As cotas representam apenas uma das medidas que podem contribuir. Não é a única, mas é um paliativo que permite um ingresso de negros no ensino superior em todos os cursos. Eu falo isso porque sou professor da Universidade Federal de Sergipe, e o fato de termos muitos negros e mestiços no Estado se reflete na universidade. Lá, argumenta-se que não há a necessidade de cotas, porque o negro já está inserido na faculdade. Eu utilizo um argumento contrário: o de que encontramos, sim, muitos negros nos cursos de Ciências Humanas. Mas não se encontram negros na Universidade Federal do Sergipe (que é um estado eminentemente negro e mestiço), nos cursos da elite, como Direito e Medicina. Então, as cotas devem permitir o ingresso de negros em todos os cursos.

Particularmente, acredito que não haverá preconceitos. Mas, se isso acontecer, vão cair por terra as características da sociedade brasileira, no que diz respeito às relações raciais, de que o racismo se dá de forma mascarada. Se isso ocorrer, as pessoas vão mostrar que são realmente racistas.

IHU On-Line – Como o golpe de 1964 influenciou no protesto negro na época? As conseqüências do golpe refletem nos dias de hoje?

Petrônio José Domingues – O golpe de 1964 baniu a democracia e se caracterizou aos movimentos sociais de um modo geral. O movimento negro também passou a ser perseguido. Sempre que se fala das perseguições se esquece daquela que houve por parte dos dirigentes negros. Eles nunca são lembrados e mencionados nessa memória nacional que se construiu em torno das vitimas da repressão brasileira, após o golpe de 1964. Então, o golpe desestruturou o movimento negro. Alguns grupos conseguiram sobreviver, mas sem o potencial de protesto, de contestação, sem poder fazer denúncia pública do preconceito racial. Assim, o golpe retardou o processo que estava crescendo no país, de conscientização da sociedade brasileira.

IHU On-Line – As lutas dos jovens universitários negros do década de 1970 influenciaram os universitários do século XXI? Como o senhor avalia a militância universitária atual?

Petrônio José Domingues – Nunca se militou tanto pela causa negra quanto agora. O grau de conscientização atual é superior ao que se dava no final da década de 1970, que foi o período em que jovens negros iniciaram nas universidades do Brasil. Atualmente, esses jovens universitários são ávidos por discutir a questão racial. Mas não podemos estereotipar esse jovem, achando que ele deve fazer discurso político. Ele, muitas vezes, defende a questão do negro a partir da cultura, do visual, do comportamento. Hoje, o engajamento do negro universitário se dá em maior escala do que na década de 1970.

IHU On-Line – Que medidas são necessárias para abolir o racismo da sociedade brasileira?

Petrônio José Domingues – Essa pergunta exigiria uma reflexão mais aprofundada. Mas, em primeiro lugar, para banir com o problema do racismo, são necessárias medidas de ordem legal. Temos que fazer valer as leis que criminalizam o racismo. Em segundo lugar, só isso não resolve, pois as medidas legais e punitivas não educam culturalmente o povo. Assim, precisam existir medidas voltadas para reeducar a sociedade brasileira.

É preciso lembrar que a família cumpre um papel importante nessa história. Muitos dos preconceitos são fomentados num espaço intrafamiliar. E, para invadir esse espaço privado, os meios de comunicação também cumprem um papel estratégico na luta pela superação das desigualdades raciais do Brasil. Penso que a TV, por trabalhar com a imagem, poderia desenvolver um papel mais educativo. Nesse caso, a temática negra deveria ser sempre pautada, desde a escolha de filmes com personagens negros até a reprodução de desenhos. Isso ajudaria a desenvolver o imaginário infantil.

IHU On-Line – Como estão os estudos da historiografia negra na academia?

Petrônio José Domingues – Esse tema veio ganhando espaço no mundo acadêmico e, atualmente, está mais valorizado. Durante muito tempo, esse estudo foi desprezado pela academia.
Em função da atual mobilização que está acontecendo no País, sobre os negros, o tema tem refletido no mundo acadêmico. De modo que muitas pessoas estão desenvolvendo pesquisas sobre ele. Aliás, nunca se publicou, no Brasil, tantas publicações sobre essa temática.

IHU On-Line – Por que existe a autodenominação da cor? Por que os negros se autodenominam como indivíduos de cor morena, mulata, cor cuia etc .?

Petrônio José Domingues – Entendo que o mito da mestiçagem no Brasil emplacou no sentido de que muita gente no Brasil não se assume a partir de uma identidade racial, optando pelo uso dos termos mestiço, pardo e moreno. Tudo isso serve para esconder a identidade racial. O discurso oficial de que no Brasil todos nós somos mestiços triunfou durante muito tempo. Isso, com certeza, influenciou os negros, de modo que eles passaram a ter dificuldade de uma auto-identificação.
Evidentemente, o negro nunca foi visto de forma positiva, nunca foi valorizado e, por isso, fica muito difícil para ele, que sempre ouviu que no Brasil todos são mestiços, assumir-se como tal. Assumir-se como negro no Brasil significa assumir um ônus.

Instituto Humanitas Unisinos
http://www.unisinos.br/ihu/index.php

 
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