15 março 2007

A IGREJA E OS ESCRAVOS

enviado por Leiriane Teresinha Barbosa Maria

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Livraria do Arvoredo convida para o lançamento e sessão de autógrafos do livro
A IGREJA E OS ESCRAVOS de José Carlos Gentili.
16 de março de 2007, sexta-feira a partir das 18:30 horas, na livraria do Arvoredo,
rua Felix da Cunha, 1213 - Moinhos de Vento, Porto Alegre/ RS.
Contado: (51) 3446.4153
grupogentili@hotmail.com

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HISTÓRIA REVISITADA

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José Carlos Gentili

Você sabe quanto custou um negro no Brasil? Essa é uma pergunta respondida em A Igreja e os Escravos, livro lançado neste final de semana, em que José Carlos Gentili traça o perfil da escravidão e da condição dos afrodescendentes.

Com esse e outros questionamentos, mostra o dia-a-dia de um país onde a discriminação aos negros revela-se até hoje, ora de forma velada, ora de modo explícito e agressivo. “O Brasil trouxe para cá por volta de 12 milhões de negros das costas da África. E um quarto disso morria ainda nos tumbeiros, os navios negreiros. Como último país a formalizar a libertação escrava, em 13 de maio de 1888, jogamos 800 mil escravos das senzalas para as favelas e periferias”, diz Gentili, ao resumir o caminho percorrido pela realidade que vive-se hoje.

Logo de cara, o leitor que se interessar pela leitura da obra encontrará reproduzido
o selo do Index da Igreja Católica, que proibia obras de serem lidas. No pé da mesma página, há traduzida uma citação em latim do gramático romano Terenciano, que era negro. Nela, lê-se: “Habent sua fata libelli”, ou “Os livros têm o seu destino”. Depois, no índice, fica ainda mais clara a intenção de polemizar. Na descrição do que vem nas 308 páginas seguintes, os assuntos são escolhidos e nomeados com títulos curtos, mas explosivos. É o caso de “Papas Negros” (à página 212).

Lá, encontra-se a informação de que a Igreja teve três papas africanos – São Vítor (189-199), São Melquíades (311-314) e São Gelásio (492-496), sem nenhuma referência na história sobre o fato de alguns deles serem negros. E o autor desafia: “Você imaginaria o sumo pontífice negro, falando para povos como o norte-americano, com toda sua profunda separação de raças?”, argumenta Gentili, que lembra a propalada figura de Jesus Cristo como homem branco e de olhos azuis – fato impossível, dada sua origem semita.

A orelha do livro traz texto assinado pelo ex-governador do Distrito Federal, ex-ministro da Educação e ex-reitor da Universidade de Brasília (UnB), Cristovam Buarque. A escolha pela participação de Cristovam é boa pista do que sugere o autor como solução para tanto descaso e violências contra os negros. O caminho de volta só pode ser trilhado com muita educação. “Para se desfazer o abismo da renda elitizada no nosso país, é preciso transferir o conhecimento. É muito triste que os nossos governantes minimizem os gastos com a educação. E o que me deixa mais indignado, assim como todo cidadão que sabe ler, é ver as verbas para o setor sendo desviadas”, lamenta Gentili.

O texto do livro é fluente e irretocável. Mesmo tendo ares de bate-papo, não perde nunca o estilo e o cuidado pela informação e sua fonte. Repleto de citações, traz no canto das páginas acontecimentos e personagens memoráveis ligados à questão negra e à escravidão. É o caso do governador Henrique Dias, que ganhou foto e minibiografia (à página 93). Negro e filho de escravos africanos, o autor recebeu o título de fidalgo pela atuação na guerra contra os holandeses, ascensão social nada comum à época.

Acabou conhecido como governador dos crioulos, negros e mulatos do Brasil.
Gentili escreve sobre diversos assuntos. Lançou livros de poesia, além de ensaios sobre direito e história. A iniciativa de escrever e publicar um livro com esse tema deu-se por promessa a amigo. Companheiro desde a tenra infância, Sebastião, negro, chegou a um canto e ele, Gentili, a outro.

Numa conversa, comprometeu-se a analisar e comprovar o sistema de discriminação racial e concentração de renda, que lança – desde os tempos dos portos africanos de tráfico – os negros na periferia e reserva tudo do bom e do melhor ao branco. “Mas a intenção não é escrever acusações sobre a Igreja, e sim constatar a história e resolvê-la, buscando a educação e o fim da desigualdade social. O Vaticano desculpou-se inúmeras vezes pelo que se passou”, explica o autor.

Foram dois anos de pesquisas que levaram o autor a viagens ao Marrocos, Angola, África do Sul e Nigéria. E, em meio a polêmicas atuais, como as cotas raciais para a universidade pública, o autor conclui o livro sobre do destino de Sebastião – que não teve as mesmas oportunidades reservadas a muitos brancos. “O livro é polêmico. E deve causar discussões entre especialistas de áreas como a sociologia. O vejo como best-seller, tanto que já preparo a próxima edição”, torce Gentili, que na página 145 esclarece o valor do negro, no início do tráfico negreiro no Brasil: 300 libras esterlinas. Já na África, não passava de oito.

Fonte: Correio Braziliense
Brasília - DF
15 junho de 2006

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