26 maio 2009

Nova Maioria: Interior gaúcho derrota correntes

Por: Redação - Fonte: Afropress - 26/5/2009
www.afropress.com - por Dojival Vieira
Porto Alegre – A II Conferência Estadual de Promoção da Igualdade Racial do Rio Grande do Sul, que aconteceu neste final de semana (23 e 24/05) no Hotel City, em Porto Alegre, mostrou que as correntes políticas organizadas (na sua maioria ligadas ou expressão de partidos políticos) que julgavam ter o controle do Movimento Negro gaúcho perderam espaço e já não tem maioria.

Dos 40 delegados representantes da sociedade civil, apenas oito são da região metropolitana, dominada por essas correntes. Os demais representam as oito regiões do interior do Estado, apesar de ativistas ligados a correntes políticas organizadas do Movimento Negro gaúcho como o MNU/RS, a CONEN, a UNEGRO – todas presentes em outros Estados - e outras articulações locais de menor expressão terem atuado para conquistar a maioria.

O Rio Grande terá 57 delegados na II Conferência Nacional marcada que acontecerá de 25 a 28 de junho, em Brasília assim divididos: 40 da sociedade civil, 10 indicados por Governos Municipais, quatro do Governo do Estado e três parlamentares.

Tumultos

Militantes desses grupos, segundo as entidades organizadoras da Conferência, convocada pela Secretaria da Justiça, teriam tentado, sem sucesso segundo relato de membros da Comissão Organizadora, dificultar a presença de delegados do interior, e chegaram a criar um clima de tumulto durante os trabalhos com o objetivo de intimidar delegados pouco acostumados ao embate com grupos organizados. Só a discussão do Regimento durou das 17h às 22h do sábado e continuou no domingo pela manhã, como parte da tática de provocar o esvaziamento do encontro, o que acabou não acontecendo.

No total 300 delegados participaram da Conferência - aberta pelo Secretário da Justiça e Desenvolvimento Social, Fernando Schüler e pelo ministro chefe da Seppir, deputado Edson Santos (foto) - 240 do interior e 60 da região metropolitana.

Segundo a Coordenadoria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial no Estado (COPPIR), jornalista Sátira Machado, a Conferência demonstrou que há uma nova realidade. “Está surgindo uma nova consciência negra no Rio Grande do Sul. Em choque com idéias radicais, mentes sensatas refletem sobre a igualdade num movimento emergente que vêm dos municípios do interior do Estado, onde segundo o IBGE está a maior concentração de população afro-gaúcha", afirmou.

Serviçais

O ex-presidente do Conselho de Participação e Desenvolvimento da Comunidade Negra gaúcha (CODENE), e secretário geral da UNEGRO, José Antonio dos Santos, que briga na Justiça pela extensão do seu próprio mandato, acusou os delegados que não se alinham com suas posições e das correntes políticas organizadas que o apóiam, de “serem serviçais do racismo institucional da governadora tucana Yeda Crusius".

“O Movimento negro gaúcho assistiu mais uma vez um processo de desorganização e de tentativa de desqualificar o debate político das lideranças negras de nosso Estado”, afirmou José Antonio sem apontar quem seriam os "serviçais" e o que seria o racismo institucional que denuncia. A UNEGRO reúne os ativistas negros ligados ao PC do B.

Entidades organizadoras da Conferência e a Secretaria da Justiça, entretanto, garantem que grupos articulados pelo ex-presidente, e pelos ativistas Luiz Mendes e Waldemar Lima, o Pernambuco, tentaram tumultuar os trabalhos e chegaram a constranger o próprio ministro Edson Santos, ao forçarem a mesa a ouvir a leitura de um documento com críticas duras a Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial da Presidência da República (Seppir).

No documento, eles acusam a má gestão da política étnico-racial pelos gestores da Seppir demonstrada "pela ausência de uma politica objetiva com corte racial no PAC (Plano de Aceleração do Crescimento), o que se refletiu de forma contundente no fracasso no Programa Brasil Quilombola”.

O ministro Edson Santos ouviu as críticas sem esboçar reação, ao lado do Secretário da Justiça. O constrangimento, no entanto, foi repudiado por entidades como o Conselho Municipal de Desenvolvimento Social e Cultural da Comunidade Negra do Rio Grande do Sul, que enviou ofício lamentando o desrespeito com a mesa diretora dos trabalhos.

“Repudiamos toda e qualquer falta de respeito com o movimento negro deste Estado, pois em sua grande maioria não são conhecedores destas práticas de grupos organizados, grupos estes que pretendem permanecer no poder, dando a impressão de que todos estão convictos e isto não é verdade”, afirma o presidente da entidade André Costa Brisolara Cardozo, em carta encaminhada ao ministro chefe da Seppir.

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