13 setembro 2012

Sesampe e SPM promovem encontro que discute o papel da mulher empreendedora da economia solidária

Nos dias 13 e 14 de setembro a capital gaúcha foi palco de relatos e propostas no cenário da Economia Solidária dos países latinos americanos e Caribe. Para integrar a programação 2º Encontro Latino-Americano e Caribe das Mulheres da Economia Social e Solidária da America do Sul e Caribe, a Secretaria Estadual de Políticas para as Mulheres (SPM), contou com o apoio e a parceria da atriz Deborah Finocchiaro, através de sua adaptação no espetáculo “Pois é, vizinha...”. A comédia teatral foi uma das atrações que fecharam o primeiro dia do encontro.
Mulheres da Economia Solidária relatam experiências no 2º Encontro Latino-Americano e Caribe em Porto Alegre
A mulher catadora, a mulher costureira, a mulher artesã, a mulher agricultora, num total de mais de 500 mulheres da Economia Solidária, estiveram reunidas, nesta sexta-feira (14),em Porto Alegre, compartilhando experiências, apresentando propostas e consolidando a Carta das Mulheres, no 2º Encontro Latino-Americano e Caribe das Mulheres da Economia Social e Solidária, realizado no Ritter Hotel. O evento foi aberto no dia 13, pelo governador Tarso Genro, e se encerra hoje, numa promoção da Secretaria da Economia Solidária e Apoio à Micro e Pequena Empresa (Sesampe), por meio do Departamento de Incentivo e Fomento à Economia Solidária (Difesol).
Representantes de Argentina, Venezuela, Paraguai e Uruguai, juntamente com empreendedoras solidárias de 18 estados brasileiros e de várias cidades gaúchas, abriram os trabalhos de hoje, relatando a realidade das mulheres da Economia Solidária na participação nos espaços de representação e nas políticas públicas. Em seguida, organizadas em grupos, por setores produtivos, a artesãs, catadoras, agricultoras, pescadoras, costureiras, cozinheiras e doceiras, quilombolas e as mulheres do setor de serviços, debateram sobre as condições de vida e trabalho, sobre formas de organizações e gestão, associada ou cooperada, e propostas de políticas públicas.
As trabalhadoras da Economia Solidária entendem que os empreendimentos associativos e cooperativos se constituem em alternativa à geração de renda, à oportunidade de trabalho e inclusão social e econômica. Apresentaram propostas e reivindicações, como a inclusão da Economia Solidária nos currículos escolares, capacitação, fácil acesso a crédito, política de comercialização, certificação e obtenção de selo para os produtos procedentes dessas iniciativas.
A exposição da coordenadora do projeto Economia Solidária e Economia Feminista, da Secretaria Nacional de Economia Solidária (Senaes), Helena Bonumá, ressalta o mapeamento de empreendimentos femininos em nove estados brasileiros, envolvendo 3.200 mulheres. No Rio Grande do Sul, existem 60 empreendimentos solidários, reunindo 240 mulheres. Por isso a sua fala acentuou a experiência e o trabalho das mulheres e o quanto elas podem contribuir com conhecimento e prática, com a obtenção de apoio e políticas públicas.
  “Se as empreendedoras tiverem recursos, vão gerar renda e investir na qualificação do seu trabalho, do seu artesanato e no seu saber”, sublinha Bonumá, que também é coordenadora da Guayí, organização não governamental sem fins lucrativos. No quadro que apresentou de segmentos produtivos dos empreendimentos solidários de mulheres, em nível nacional, artesanato corresponde a 49%; confecção, 17%; alimentação, 16%; reciclagem, 5%; agroecologia, 5%; e pesca, serviços e outros, somam 8%.
Carta das Mulheres
A partir dos debates realizados, foi consolidada a Carta das Mulheres da Economia Solidária. O documento contém propostas e estabelece as diretrizes de ações para a formulação de políticas públicas de apoio e fortalecimento ao setor. Ao final da tarde, após o encerramento do encontro, as participantes farão uma caminhada ao Centro de Porto Alegre e darão um abraço simbólico ao Largo Glênio Peres.
A diretora do Difesol, Nelsa Nespolo, adianta que a Carta também será distribuída pelas ruas da Capital. “Queremos provocar as outras mulheres para vir para este debate e acreditar nesta forma de desenvolvimento. O encontro demonstra que as mulheres têm clareza para analisar a realidade em que vivem e estão maduras para exigir as políticas públicas de apoio e fortalecimento aos empreendimentos solidários”, enfatiza. E justifica, ressaltando que, aproximadamente, 70% das pessoas que estão na Economia Solidária, seja no meio urbano ou rural, são mulheres.

Experiências e práticas das mulheres empreendedoras
Entre as experiências e contribuições apresentadas pelas participantes, destaca-se a catadora Maria Tugira da Silva Cardoso. Viúva, 52 anos, sete filhos, todos sustentados com o trabalho realizado por mais de duas décadas no Lixão de Uruguaiana. Ela obtém com a atividade menos de um salário mínimo. Pondera, porém, que “as pessoas ficam no lixão, porque dali dá para tirar todas as refeições diárias, para si mesma e para os filhos”.
Atuante na Associação dos Catadores de Lixo Amigos da Natureza (Aclan), integrada por 86 catadores, e juntamente, com a Pastoral Diocesana, tem se dedicado ao trabalho permanente de conscientização, junto aos pais das crianças e jovens catadores, para que os orientem a não deixar a escola. “Para avançar, tem que se qualificar”, diz. Só reclama quando fala que faltam políticas públicas, que poderiam contribuir para a construção de um galpão de reciclagem, “antiga reivindicação dos catadores do município”, sustenta.
Bastante mobilizada e integrante dos conselhos nacional e estadual da Economia Solidária, Margareth Wiltgen, 56 anos, há 13 anos vem conciliando a atividade de artesão com a atenção ao marido e ao desenvolvimento dos três filhos, hoje adultos. Deixou para trás o artesanato de pintura em gesso e madeira, produzido com os amigos, informalmente, para fundar a Associação Toque de Anjo. Com o mesmo grupo, composto por sete mulheres e um homem, há oito anos, produz peças que são distribuídas para dois pontos fixos de comercialização: no Mercado Público de Porto Alegre e no Sindicato dos Bancários do RS. Segundo a artesã, “o principal gargalo dos empreendedores solidários é a falta de um ponto fixo de comercialização. Somente 20% das iniciativas têm um ponto de venda”.
Leusa Edivane Rolan Teixeira, 27 anos, casada com um trabalhador autônomo, mãe de uma menina de 12 anos, e Thaís Nunes de Mesquita, 44, solteira, mãe de dois jovens, são moradoras de Santa Vitória do Palmar, e debutantes na Economia Solidária. Elas integram a Cooperativa Rosa dos Ventos e vivem a expectativa de obter renda e adquirir autonomia financeira.
A cooperativa, que envolve 65 mulheres, será responsável pela produção da alimentação distribuída aos funcionários contratados para a construção do parque eólico do município. “Abre uma grande perspectiva às trabalhadoras que estavam fora do mercado”, declaram. As empreendedoras tiveram cursos nos ramos de padaria e confeitaria e se dizem animadas ao poder desfrutar do desenvolvimento econômico do município. A criação da cooperativa é resultado de um trabalho coordenado pela Secretaria do Planejamento, Gestão e Participação Cidadã (Seplag) junto à Sesampe.

Site do Sesampe
www.sesampe.rs.gov.br

Fonte: SPM

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