02 dezembro 2013

SPM apresenta estudo da FEE sobre as condições e desigualdades de gênero no RS

A Secretaria de Políticas para as Mulheres do Estado do Rio Grande do Sul lançou nesta segunda-feira (2), os "Estudos das Condições das Mulheres e as Desigualdades de Gênero Existentes no Estado", durante evento no auditório do Salão Nobre da Faculdade de Direito da UFRGS. A iniciativa faz parte das atividades dos "16 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra a Mulher - Por mais direitos, educação e trabalho" e tem como objetivo direcionar a formulação e execução de políticas públicas, melhorando a qualidade de vida do público feminino, com base nos estudos desenvolvidos pela Fundação de Economia e Estatística (FEE). “Não é possível pensar políticas públicas apenas no empirismo. Para perspectivas que realmente dialoguem com as mulheres do nosso Estado precisávamos de dados a partir da vida real, conhecendo a realidade das gaúchas, para ter repercussão na vida das mulheres ”, destacou a Secretária Estadual de Políticas Públicas para as Mulheres, Ariane Leitão, ao ressaltar a importância do trabalho.
Para a secretária, o estudo, realizado a partir de informações disponibilizadas por instituições como PNAD, Cepal e IBGE, será possível o constituir o observatório da política pública para mulher no Estado. "Assim, poderemos fazer os recortes considerados importantes e utilizar estes números para fortalecer nossa política pública e aprimorar as diretrizes para nossa atuação. Como, por exemplo, fomentar o crescimento da participação das mulheres em áreas eminentemente masculinas", aponta.
O levantamento mostrou que, no Rio Grande do Sul, “as mulheres têm uma jornada de trabalho mais extensa, têm melhor qualificação, mas proporcionalmente ainda ganham menos que os homens”, conforme a dados apresentados pela pesquisadora Clitia Helena Martins. De acordo com dados da RAIS (2010), 48% das mulheres inseridas no mercado de trabalho têm nível superior, enquanto apenas 24% dos homens contavam com a mesma formação. No entanto, deste total, a proporção de homens que ganhavam até três salários é menor do que de mulheres. No que se refere à capital gaúcha, a pesquisadora destacou que 72,5% dos domicílios em extrema pobreza (com renda per capita de até 70 reais) são chefiados por mulheres, com uma concentração relativa dessas mulheres na faixa de 20 a 24 anos com crianças pequenas (PNAD/IBGE). Os dados ainda apontam que, no Estado, a participação feminina nas câmaras de vereadores é de apenas 7,40% enquanto que no Brasil este número cresce para 11,88%.

Mundo do trabalho
No que se refere à “inserção das mulheres do mercado de trabalho na região metropolitana de Porto Alegre”, a coordenadora da Pesquisa de Emprego e Desemprego da FEE, Dulce Vergara avaliou que a ocupação cresceu apenas para as mulheres em 2012. "Mas a relativa estabilidade dos rendimentos médios femininos ampliou o diferencial entre os sexos”, destaca. A taxa de participação (total de pessoas inseridas no mercado de trabalho) das mulheres passou de 49,3% em 2011 para 49,4% em 2012. Entre os homens, este indicativo apresentou uma retração, passando de 65,9% (2011) para 65,7% (2012).  Já a proporção de mulheres no contingente de ocupados também aumentou: passou de 45,3% (2011) para 45,8% (2012). 

Perfil das mulheres
No encontro também foram traçados o perfil das mulheres vítimas de violência. De acordo a coordenadora do núcleo de políticas públicas da FEE, a pesquisadora Gabriele dos Anjos, “a violência de cônjuges e ex-cônjuges é específica de gêneros, porque atinge principalmente mulheres”. De acordo com a análise dos dados da PNAD/2009, apresentada pela pesquisadora, cerca de 95% dos agredidos por cônjuges ou ex-cônjuges são mulheres. “Com esses dados é possível desenhar um perfil das mulheres agredidas e desenvolver melhor as políticas públicas”, avaliou. Dentre as mulheres vítimas de agressão, o levantamento mostra que a maior parte está na faixa acima de 40 anos, são pardas e, principalmente de baixa extração social, baixo rendimento, baixa escolarização e inserção precária no mercado de trabalho.

Sobre o estudo 
Consiste no levantamento e análise de dados demográficos e sociais atualizados para fundamentar diagnósticos da condição das mulheres no Rio Grande do Sul e contribuir para a formulação de políticas públicas específicas. 
Tem como objetivo oferecer indicadores pertinentes, válidos e facilmente compreensíveis, derivados das principais estatísticas disponíveis para o Estado e, quando possível, para seus municípios, permitindo identificar questões relativas à situação das mulheres e às desigualdades sociais entre homens e mulheres no RS. 
Além disso, busca dar conta da situação das mulheres e das desigualdades existentes entre homens e mulheres nas diferentes regiões no Estado, de acordo com temáticas relevantes, visando estabelecer prioridades populacionais e territoriais, e facilitar a identificação de áreas críticas para focalizar políticas orientadas à eliminação de desigualdades.
Informações completas podem ser obtidas a partir do arquivo em anexo.

Texto: Letícia Souza e Luana Mesa
Fonte: SPM

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